Desde criança aprendi ou me ensinaram que a mulher tem um "ponto fraco''. Ou seja, há uma zona erógena de alta sensibilidade no corpo feminino, tendo entrado na minha cabeça que caberia ao homem descobri-la se quisesse realizar-se sexualmente. Como se sabe, o homem só se realiza sexualmente se satisfizer inteiramente a sua parceira na cama.
Isso nunca saiu da minha cabeça e não sai da cabeça de nenhum homem. Recentemente a ciência revelou a existência do ponto "G'', uma zona periférica ou interna do corpo da mulher que ativa todas as suas energias de prazer, sendo indispensável essa descoberta para que haja a realização dela durante o sexo. Se tocar no ponto, é uma loucura.
Para dizer a verdade, eu acho tudo isso uma cretinice. Porque através dos anos muitas mulheres fizeram comigo o que fazem com todos os homens: "Descobre tu o meu ponto fraco. Não vou revelar-te. Esse é um segredo que guardo a quatro chaves. Cabe a ti a descoberta do tesouro, se o fizeres me conquistas''. É mais ou menos assim que grande parte das mulheres se pronuncia ou se comporta silenciosamente.
Em primeiro lugar, a denominação "ponto fraco'' é inteiramente errada. Tinha que ser "ponto forte''. Ponto fraco quer dizer que, caso seja descoberto ou tocado pelo homem, fará com que a mulher se renda. Ora, o amor não é um combate, em que um vence e outro é derrotado. Se por acaso esse ponto fraco ou "G'' existe mesmo, a mulher não tinha nada que ocultá-lo.
Parece até que ela se vitoria quando o homem não descobre o tal local erótico, tendo interesse profundo em não declará-lo ao seu parceiro. Como se a descoberta dessa chave primal do prazer fosse prejudicá-la, dando a entender que ela não quer entregar-se para qualquer um, que só o grande descobridor é que terá o direito de possuí-la inteiramente.
Se a mulher foi fazer sexo com um homem, é lógico e evidente que ela procura prazer. Por que então dificultá-lo, escondendo aquela área miraculosa que fará com que ela exploda para a total satisfação?
O que há em verdade, confirmadíssimo pelos sexólogos, é uma complicação no organismo de muitas mulheres que dificulta o conhecimento do orgasmo, às vezes até causada por inabilidade do homem.
Há depoimentos e estatísticas colhidas junto ao mundo feminino que demonstram que muitas mulheres nunca tiveram orgasmo. Ou então só foram conhecê-lo depois de longos exercícios sexuais, após muitos anos. Outras, incrivelmente, têm o orgasmo e pensam que não têm. E uma grande parte não tem e acha que tem.
Vai você, como homem, dormir com um barulho destes. Uma vez fiquei cinco anos tentando descobrir o ponto fraco de uma mulher. Uma imbecilidade minha e, acima de tudo, dela. Por que esta mulher não me abriu desde logo o jogo, dizendo onde se localizava o tal ponto fraco?
Por que — e é aí que quero chegar — as mulheres não declaram de pronto a seus maridos ou parceiros qual o ponto de seu corpo que as deixa excitadíssima, facilitando assim para elas e para eles os jogos sexuais?
Que besteira e atraso é este de ficar escondendo o jogo? Se é um bafo na orelha, uma mordiscada, um beijo na axila, um leve puxão nos cabelos, por que não declará-lo francamente ao seu homem, desvendando desde já o caminho para o Éden? Não é burrice querer que o sujeito descubra por moto próprio, perdendo tanto tempo e às vezes até malbaratando um grande amor ou um enorme prazer?
Em realidade, o tal ponto fraco ou "G'' é uma grande fraude. Nem as mulheres o conhecem. Desconfiam apenas que o têm e, com receio de não o possuírem e estarem incapacitadas temporária ou definitivamente para o prazer, transferem aos homens a epopéia de descobri-lo.
Se você for homem, não embarque nessa. Se for mulher, abra o jogo imediatamente sobre seu ponto "G'' para seu parceiro. Ou, caso não possua esse ponto, abra o jogo da mesma forma e esforcem-se os dois para descobri-lo.
Fica mais fácil, mais prometedor, mais transparente e, acima de tudo, mais inteligente assim.
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