quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Entendendo o EMO...

Deixa eu ver se entendi. Trocando em miúdos, o Emocore sem os berros e as levadas de três acordes é mais ou menos um The Calling. Ou então, tirando as letras e a cara propositadamente de brabo dos membros das bandas é um Offspring mal-ajambrado. É isso?
E é impressão minha ou a união de tais elementos proporciona uma “música” muito, mas muito, mas muito, mas muito pentelha? Porque assim, o que acontece é que você tem uma espécie de coito interrompido, saca? Nem afoga as mágoas de vez, nem sai pulando como retardado... e tem mais: haja falta de talento para errar tantas vezes em “assuntos de amor”, hein? Músicas de CPM22, Dead Fish, Detonautas, essas coisas, são todas iguais! Todas falando de como a criatura tá mal por causa de amores mal resolvidos... haja paciência!
Se é pra falar de amor, se é pra se acabar de amor, manda logo um “I Know It´s Over”, dos Smiths, ou quem sabe uma clássica como “God Only Knows”, do Beach Boys (com os próprios californianos ou com o Bowie, ambas são aceitas). Tenho mais uma lista infindável, quer ver? “Stay”, do U2, “Tom the Model”, com a Beth Gibbons, “(Wish I Could) Hideaway”, Creedence, “Maps”, Yeah Yeah Yeahs, “Still in Love with You”, Thin Lizzy, “All Dead”, Queen, “Walking in my Shoes”, Depeche Mode. E tente sobreviver.
Se é pra falar de raiva, se é pra se acabar em uma overdose de energia, manda um Ramones (claro), qualquer coisa dos Pistols, Outkast, White Zombie, Nine Inch Nails (claro), Primal Scream, Eminem, Fatboy Slim, Nirvana. E tente sobreviver...
Mas vá até o fundo! Essa coisa meia-boca, esse “amor” pra vender, essa raivinha pueril, essa absoluta falta de “atitude” disfarçada em “mamãe, podemos ser bons meninos, olha como sofremos...”, isso tudo é muito artificial! Na boa, abrace a causa, se jogue! Tem coisas que não dá pra ficar no meio-termo, sabe? Ou essa gente se apaixona todo dia por pessoas diferentes? E sofre cada perda como se fosse a primeira? Confesso que me assusto com a falta de profundidade do tal Emocore. E fatalmente faço um paralelo com quem escuta. Aí é que o bicho pega.
Duas coisas me chamaram a atenção recentemente. Uma foi a declaração de um jornalista todo orgulhoso porque seu filho de 4 anos já “brinca” no Google. A outra foi uma reportagem atestando o que todo mundo já suspeitava, os adolescentes estão trocando relacionamentos reais por virtuais. ( Da para acreditar?)
Os dois exemplos formam um ambiente perfeito para que algo como o Emocore se transforme em sucesso...
Caso não tenha entendido, eu explico:
Crianças que crescem em frente ao micro, trocando a brincadeira de polícia e ladrão pelo mais novo game do mercado, serão adolescentes cujos melhores amigos serão virtuais. Crianças que fazem pesquisa para escola no Google e não mais visitam o Zoológico, serão adolescentes que vão namorar via messenger. Crianças que não sentem o delicioso cheiro de um livro novo serão adolescentes que se comunicam através do miguxês. Crianças que não interagem com o mundo real à sua volta serão adolescentes que expõem suas desinteressantes vidas em blogs. Dá pra perceber onde entra o Emocore?
Se não fossem as justificativas deles mesmos, os adolescentes, embasando tais trocas em sua suposta timidez, eu não teria ficado preocupada. Alô, papais, joguem seus filhos no mundo! Pessoalmente, vou me orgulhar quando meu filho ganhar uma partida de basquete, ao lado de todo time, e não quando ele for diagnosticado com tendinite aos 12 anos. E vou chorar à beça, mas vou apoiar, quando ele decidir fazer um curso de 2 anos na Espanha, não quando ele chegar aos 30 anos pensando que amor e sexo casual são a mesma coisa.
Com o esvaziamento das relações pessoais, há uma procura por produtos que são semelhantes ao que esse público “vive”. Ou seja, a música preferida por esse monte de gente é uma música artificial, rasa, repetitiva, trilha sonora de relacionamentos que têm começo, meio e fim via mouse. Pode parecer uma teoria esquisita, mas alguém sabe explicar por que algo como o Emocore surgiu somente agora? E por que algo tão vazio faz tamanho sucesso?
Não, música rasa não é exclusividade do Emocore, mas a proposta de fazer música falando de amor e não falar nada a não ser que sempre dá tudo errado é... FODA!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

O que a Marvel reservou para 2008...







A minissérie Guerra Civil acaba de ter sua última edição lançada no Brasil.
O trabalho do escritor Mark Millar e do desenhista Steve McNiven mostrou um racha entre os heróis da Marvel. Tudo começou depois de um acidente envolvendo os Novos Guerreiros que causou a morte de centenas de civis. O governo dos EUA, então, decidiu registrar todos os seres superpoderosos do país. Alguns heróis, liderados pelo Homem de Ferro, apoiaram a lei, enquanto outros, liderados pelo Capitão América, passaram a agir na clandestinidade contra a medida autoritária.
A parte 7 da história em quadrinhos, vencedora do Omelhor 2007, terminou com as prometidas bombásticas (e já conhecidas pela grande maioria) mudanças no Universo Marvel e tais alterações começam a ser sentidas já no mês que vem em todas as revistas de linha da Marvel, publicadas aqui pela editora Panini Comics. Confira abaixo e cuidado... Se você não acompanhou as notícias sobre Guerra Civil aqui no "Bom de lingua", no último ano, elas podem estragar pequenas surpresas:
Guerra Civil Especial 4: O lançamento do ambicioso projeto Iniciativa de Tony Stark, que consiste em colocar uma equipe de super-heróis (registrados, claro) em cada um dos 50 estados dos EUA.
Avante, Vingadores!: O título recebe as histórias mensais do Homem de Ferro, agora em nova fase; e em março sedia a nova série Os Poderosos Vingadores (Brian Bendis e Frank Cho), focada na ação, com os heróis sancionados pelo governo Homem de Ferro, Vespa, Magnum, Tigresa, Ares, Sentinela e Viúva Negra. Um mês depois estréia a série Vingadores: A Iniciativa, mostrando a instalação das super-equipes de cada estado e o treinamento de heróis registrados (Dan Slott e Stefano Caselli). Trata-se da HQ "Pró-Registro", portanto.
Os Novos Vingadores: Ficam na revista os heróis renegados, ilegais, que estarão às voltas com as investigações de uma gigantesca conspiração no Universo Marvel. Os Novos Vingadores são a equipe do Capitão América, apesar do herói não integrar suas fileiras. São eles: Luke Cage, Homem-Aranha (que voltou a usar o uniforme negro - fato que será melhor explicado na HQ do herói), Wolverine, Mulher-Aranha, Punho de Ferro, Dr. Estranho, Ronin e Eco. As histórias do título solo do Capitão, que culminará em dramáticos eventos, também será publicado aqui.
Universo Marvel: Em março começam as aventuras dos imprevisíveis Thunderbolts, com roteiros de Warren Ellis e arte do brasileiro Mike Deodato. Integrando o grupo estão os vilanescos - e registrados - Venom, Mercenário, Rocha Lunar, Soprano, Homem Radioativo, Espadachim e Duende Verde, além de um oitavo - e misterioso integrante atormentado. Na mesma revista, outra mudança de rumos... Susan Storm volta para Reed Richards, mas o futuro do casamento ainda é incerto - o que leva a mudanças (e novos integrantes) no Quarteto Fantástico. A revista será também um dos principais títulos do alardeado evento Hulk Contra o Mundo (World War Hulk), que distanciou significativamente a Marvel da concorrência em seu lançamento no ano passado. Nele uma união dos maiores cabeças do Universo Marvel – Reed Richards, Tony Stark, Dr. Estranho, Raio Negro – concluiu que o único jeito de parar com a destruição causada pelo gigante verde era mandá-lo para o espaço. Assim começou a saga Planeta Hulk, em que o verdão tornou-se um gladiador adorado pelas massas. Mas ele está de volta à Terra agora... e nada feliz...
Marvel Apresenta: Em fevereiro o gibi mostra a formação da nova superequipe do... Canadá! Sim, alguns dos heróis que não concordam com o registro mudam-se para outros países; e o Agente Americano e Bill Raio Beta rumam para o norte onde formarão a Tropa Ômega (por Michael Avon Oeming e Scott Kolins).
Marvel Action: Poucas mudanças por aqui... o título permanece centrado nos Cavaleiros Solitários da Marvel Comics, como Justiceiro, Cavaleiro da Lua e Demolidor.Marvel Especial: O título passa a ser bimestral. Em março apresenta a nova geração dos Novos Guerreiros. Kevin Grevioux, egresso de Hollywood, assume os roteiros ao lado do ilustrador Paco Medina. A nova equipe rebelde, formada por heróis jovens e desconhecidos, usa o infame nome dos causadores da tragédia de Stamford como protesto pelo registro.

domingo, 20 de janeiro de 2008

"A bola da vez"...

Capitão Nascimento. Um herói (ou anti-herói) fascinante para todos. Tem a certeza como a dos santos visionários; seduz pela simplicidade. O mundo do capitão Nascimento: potência desmedida que vai da humilhação à tortura, do tapa na cara à sufocação sangrenta... e mesmo à morte. As posições são absolutas. O bem e o mal são claros, assim como os honestos e corruptos: os convencionais, a PM e os caveiras do BOPE. Tropa de Elite traz a consolidação de um paranóico para o trono do Brasil de agora. Quase tudo foi falado sobre este acontecimento dirigido por José Padilha, talvez o mais assistido filme brasileiro de todos os tempos, considerando, é claro, a impossível medição dos espectadores piratas. A transformação da ansiedade de Nascimento em resolução paranóica se dá exatamente com a passagem do policial do bem, Matias, em um truculento vingador. O filme não é fascista, como foi alardeado. Filme fascista típico é aquele que cultua a personalidade salvadora lutando por um ideal de nação: Gladiador. Na cena final de Tropa de Elite, a cara explodida do bandido Baiano é claramente confundida com a do espectador. Não há catarse como nos filmes fascistas, em que a platéia acolhe o herói como seu protetor. O homem do ano, pelo olhar da psiquiatria, é um delirante. O delírio pode ser entendido como um pensamento em via única. Não há espaço para dúvidas, somente para certezas. Não há modificações com as experiências, apenas ratificações. Como típico paranóico, os atos de Capitão Nascimento variam entre a arrogância e a crueldade. Como narrador, diz que quer sair do BOPE, pois não se identifica mais com o tipo necessário para pertencer à Tropa de Elite, mas o Capitão Nascimento personagem, apesar do evidente mal-estar, quer apenas ser clonado. Este é o fio condutor da brilhante narrativa: Capitão está mal. Capitão quer sair. Capitão treina candidatos a herdeiro. Um herdeiro é escolhido. Fim.
[As frases-evento do ano]
A primeira reação ao filme é de um espanto e de um reconhecimento: sabemos pela mídia o que acontece nas favelas cariocas. Mas será que sabemos mesmo? O longa nos ensina algo de novo? Sim: a fórmula de tornar popular algo feito bem longe do padrão-Globo-de-qualidade, mas com um roteiro perfeito e frases memoráveis. Repetidas pelos adolescentes, elas fazem parte do respiro cômico de Tropa de Elite, especialmente a narração irônica do Capitão (impossível para o personagem da trama, que é de um intelecto bem mediano), a seqüência do treinamento (“pede pra sair”). Quem já teve a curiosidade de buscar no Google deve ter ficado impressionado com os resultados: há mais de 1,17 milhão de entradas com Capitão Nascimento! No Orkut são 426 comunidades com mais de 6 mil participantes! Além das comunidades com o nome do capitão, ainda há grupos inteiros dedicados às já célebres frases: “23, o senhor está sem bandoleira”, “Bota na conta do Papa”, “Essa pica agora é do aspira”, “Traz o saco”, “Eu me pergunto quantas crianças precisam morrer para que um playboy possa enrolar um baseado”. Podemos protestar, discutir, mas não há dúvidas que ele é bem popular!

A nova fase mutante...

A Marvel liberou esta semana um preview de Uncanny X-Men #495,primeira edição da nova fase dos mutantes, chamada "Divided We Stand"...
(trocadilho do tipo,"Desunidos Venceremos").
A descrição da edição é a seguinte:
"Após a aterradora conclusão de Messiah Complex os X-Men acabaram - mas para onde vão os ex-alunos de Xavier? Em Uncanny X-Men #495, pelo autor premiado pelo Eisner Ed Brubaker e pelo artista em ascensão Michael Choi, os mutantes sobreviventes reavaliam os sonhos de Xavier e decidem se a coexistência pacífica ainda é opção. Parte de 'X-Men: Divided We Stand', esta edição define o panorama para o futuro da raça mutante. Enquanto lamenta-se a perda de antigos aliados, o mundo ficou realmente mais seguro? Enquanto isso, o Homem de Ferro confronta Ciclope com um plano para garantir a segurança de todos os mutantes - mas o líder dos X-Men vai concordar?"
A edição sai nos EUA no início de fevereiro...

"Messiah Complex" conclui este mês lá fora.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Meu ouvido não é "penico"!

Agradeço todos os dias, por pertencer a "velha escola"... Hoje em dia, qualquer um grava CD, põe seu "barulho" em radio e sai falando merda por ai, se achando o ultimo biscoito do pacote... "Achei que ninguém ia ligar para uma menina que grita como uma retardada no palco .”
Marina Ribatski – ex-Bonde do Rolê
“ O disco está mais roqueiro que o primeiro, mas continua com as piadas retardadas e o humor dos “Trapalhões” da gente .”
“ As piadas nas nossas músicas não são engraçadas. Só para nós. Na Europa o público não tem noção desse humor sem-graça que a gente tem. Eles gostam da música porque acham boa .”
“ Sei que vai ter um monte de urubu no nosso show para falar mal depois. Não estou nem aí, vou ficar lá atrás bebendo de graça. Depois vou para alguma festinha e nem vou tomar conhecimento do que vão dizer ...”
“ Tenho depressão do pop brasileiro. Não suporto emo, tenho vergonha de ver essas bandas de cabeludinhos fazendo música horrorosa! Quem mais tem? Eu gosto da Pitty. Ela é uma fofa, tem muito mais identidade que essas bandas que imitam Bad Religion por aí. Ela é corajosa, faz umas baladas bacanas .” Adriano Cintra – Cansei de Ser Sexy
" A gente nunca vai se levar a sério, mas o que acontece é que a gente está muito mais profissional, quer fazer um show melhor que o outro. Mas a gente se diverte muito não se levando a sério, e isso é uma coisa muito inteligente ." Luísa Lovefoxxx – Cansei de Ser Sexy
Aproveitando a última coluna do ano para tentar enterrar algumas bandas de vez.
Hoje em dia existe um bom termômetro para avaliar se uma banda é realmente boa musicalmente ou se é conhecida pela quantidade de bobagens que diz e/ou faz. Se a Internet trouxe ganhos incontestáveis, o mesmo pode-se dizer das perdas. Não fosse a facilidade de trocar arquivos, emitir opiniões e fazer “amizades” e contatos rede afora, muitas bandinhas furrecas estariam onde deveriam estar: no buraco negro cósmico da insignificância. Mas não. E nós, pobres mortais conectados, estamos sujeitos à profusão de baboseiras e assistindo ao nascimento (e sucesso!) de porcarias inacreditáveis. O que não quer dizer que perdemos a opção do livre arbítrio – que, a propósito, deveria ser compulsório - leia, eventualmente ouça (vai que você é masoquista), mas não dê importância, pelo amor de Deus! Como você mesmo leu na introdução desta coluna, nem eles se levam a sério!
Um caso grave e dois casos muito graves. Começando pelo começo: Foo Fighters ...

A banda de Dave Grohl era bacaninha, despretensiosa, nada muito marcante, mas até merecia um destaque na parte da minha discoteca que diz “música atual”. Eis que eles lançam um disco inclassificavelmente tenebroso, ao mesmo tempo em que Grohl , antes uma discreta sombra do ex-companheiro de Nirvana, Kurt Cobain, resolve dizer a que veio. E mais uma vez só comprova que é melhor ler e ouvir certas coisas a ser cega e surda. Os muxoxos recentes de Grohl só me fazem crer que a qualidade do trabalho de uma banda vai na contramão da quantidade de asneiras que seu líder começa a falar. Um cara antes quieto, em, digamos, um semestre que venho acompanhando suas declarações, Dave Grohl disse, entre outras coisas: que está cansado de ver as pessoas considerando o Nirvana um trabalho apenas de Cobain – ok, a gente via você tocando bateria, Grohl; que escreveu sim uma música sobre Courtney Love – alguém que ele felizmente sempre havia ignorado, para o bem dos nossos ouvidos e consciência, que têm mais o que fazer; que o Foo Fighters havia feito um disco mais eclético – eclético não, Mr. Grohl, horrendo, sem direção, atirando pra tudo que é lado. Grohl também está pronto para dar conselhos às drogaditas de plantão (Lindsay Lohan, Britney Spears, Amy Winehouse), dizer que chora ouvindo músicas do Nirvana e que deveria tocar bateria com o Led Zeppelin. E o som do Foo Fighters? De medíocre a pior...
Bonde do Rolê e Cansei de Ser Sexy. Personificação máxima da expressão “pra inglês ver”, as duas bandas fazem um sonzinho insuportável, têm à frente vocalistas-gralhas e se tornaram conhecidas pura e simplesmente porque hoje, qualquer coisa pode se tornar conhecida, desde que “choque” de alguma maneira.
Vários leitores já escreveram me perguntando qual a fórmula do sucesso de ambas e eu respondo: primeiramente, que sucesso? O que a mídia nacional insiste que existe? Sucesso pra mim quem faz é a Madonna, o Rio Negro e Solimões, a Sandy Jr., a Ivete Sangalo, o U2. Ou só por que meia dúzia de britânicos (que a-d-o-r-a-m bandas hypadas) acha os caras legais eles fazem sucesso? Se um dia eles fecharem uma noite no Glastonbury reconsidero minha opinião. Prometo. Dito isto, você já fez o exercício de traduzir letras de música? Ficam medonhas, não ficam? Excetuando-se um Morrissey, um Roger Waters, um Dylan da vida, a grande maioria não só pode como DEVE ficar sem tradução. Pronto. Quantos gringos você acha que conhece uma palavra de português? E não entendendo o que as bandas citadas cantam, já fica mais fácil gostar. É como deixar o cérebro em casa e só balançar o corpo.
O Bonde, como a própria ex-vocalista do trio falou ali em cima, é uma piada extremamente sem-graça com gente retardada em cima do palco e na platéia. E não por acaso, já começou a degringolar. O Cansei de Ser Sexy (que eliminou a única coisa que tinha de bom, o nome, para agradar a gringolândia, que chama a banda de CSS) já está começando a se achar inteligente, e isso é perigoso... Divertir-se não se levando a sério é ótimo. Inteligente? Diria que com a idade isso passa e que pra mim, soa mais como justificativa sempre pronta na ponta da língua para uma banda bastante consciente da própria ineficiência. Eles sabem que não tocam nada, sabem que não acrescentam nada, estão cientes da grande bobagem que são, mas querem sair por cima dizendo que estão se divertindo horrores. Ótimo para eles. E quem compra o disco se diverte também? Ou é só uma piada interna, como diz o Adriano?
Mas, ah, esta parte é a mais gostosa... É sempre bom ver um brasileiro arrogante começando a achar que descobriu suas raízes no Velho Mundo reclamar da imprensa e do público do próprio país e ao mesmo tempo botar todas as bandas do pop nacional em um só saco e jogar tudo no lixo. Como se pudesse falar de qualidade... Eu acho uma delícia de ver. Mas ainda melhor é ver a mesma imprensa rasgando seda pra essa gente que vai pra fora, agrada um público carente de coisas novas (imagine que lá nasce um Arctic Monkeys por dia), conquista uma capa do New Musical Express (a Lovefoxxx supercool, zzzzz), se acha a última bolacha recheada do pacote, e volta pra cá falando poucas e boas da própria imprensa! É um círculo vicioso interessante de observar... Se gringo aprovou, como é que a gente não aprova? Simples: brasileiro não tem acesso à cultura, é carente de discernimento, mas não é tão burro e surdo! Podem ficar por lá!

domingo, 13 de janeiro de 2008

O monstro mais esperado do ano!


Faltando uma semana para a estréia de Cloverfield nos EUA, a divulgação se intensifica...
Mas, o que todo mundo quer ver, porém, não aparece. O monstro deve ficar mesmo para as salas de cinema... Para conter um pouco a ansiedade geral, a Paramount soltou no press release do filme uma descrição dos parasitas que habitam a pele do monstro e também do próprio bicho. E finalmente explicam o imbróglio envolvendo o título. Confira por sua própria conta:
"Quando as pessoas estão na loja de eletrônicos, assistindo à cobertura do ataque, dá pra ver o monstro pelo ponto de vista do helicóptero, balançando o rabo e arrancando um naco da ponte do Brooklyn. (...) Um olhar mais próximo acontece quando o personagem Hud [que está registrando tudo com uma câmera portátil] é atacado pelo monstro e vemos dentro da boca do bicho. (...) Ele tem 25 andares de altura."
"[O produtor J.J. Abrams comenta] Ele é um bebê monstro. É novo, está confuso, desorientado e irritado. Esteve nas profundezas do mar por milhares e milhares de anos. (...) Todas essas coisinhas pequenas - os humanos - estão atacando-o e deixando o monstro mais nervoso. Nada matará o monstro, mas o machucam e o monstro não compreende. É o novo ambiente que o assusta. (...) Não há no filme a cena do cientista de jaleco branco explicando a origem do monstro. Deliberadamente evitamos essa explicação."
"[O diretor Matt Reeves fala] Eu queria dar ao monstro aquele sentido de assombro, como quando um cavalo se assusta e podemos ver o branco saltando do fundo de seus olhos. Quando os militares estão atirando no monstro, dá pra ver esse assombro, e o monstro fica completamente agitado. (...) [De novo Abrams] Como é um monstro novo, temos uma cena em que ele coça as costas em um prédio, e destrói o prédio como consequência. Ao coçar as costas o monstro libera uma camada de parasitas que passa a atacar a cidade. [Sobre os parasitas] São criaturas horrendas do tamanho de um cachorro que se espalham pela cidade tocando o terror. Movem-se rápido, são vorazes e capazes de escalar paredes e grudar em coisas, porque possuem garras como caranguejos."
"[E a respeito do título] Cloverfield, nome de uma rua perto do escritório de Abrams no oeste de Los Angeles, era um apelido no começo para que não trocássemos e-mails falando em 'filme de monstro'. Tínhamos outro título, que anunciaríamos na Comic-Con, Greyshot, que é o nome da ponte no Central Park onde Rob e Beth se escondem no fim do filme. Mas quando chegou a época da Comic-Con o nome Cloverfield já tinha vazado e as pessoas começaram a chamar o filme assim, então acabou ficando."
A trama do filme acompanha a despedida de Rob (Michael Stahl-David), que está indo para o Japão, a terra dos monstros gigantes. Ironicamente, a metrópole que está para ser arrasada por um ser ensandecido é Nova York - e a festa de Rob vira uma noite de terror. O filme é inteiramente rodado com câmeras digitais caseiras, como se fossem a perspectiva da população.
Além de Stahl-David, Lizzy Kaplan (The Class), Mike Vogel (Supercross) e Odet Jasmin estão no elenco. O roteiro é de Drew Godard (Lost, Alias, Buffy) e a direção, de Matt Reeves, A produção é da Bad Robot de Abrams e a distribuição será da Paramount.
O filme estréia no próximo dia 18 nos EUA e em 1º de fevereiro no Brasil.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Conto (O Pecado Capital - Ato 1 / Parte 10)

- Do que você está falando? Eu estava negociando com alguns demônios e agora você me vem dizer que será o fim dos dias... Que eu desencadeei o Armageddon. Besteira! Eu vou resolver isto do meu jeito! Exclama Herrera.
- Alto lá, não ouse me desafiar, me farei mais claro para que possas realmente entender a gravidade da situação em que nos encontramos.
- Há séculos foi-me conferida uma importante tarefa. Guarnecer incessantemente o túmulo de um poderosíssimo demônio, aprisionado em uma de nossas cidadelas. Demônio este, que nos custou inúmeras baixas, magos de essências muito mais altas que a minha ou de qualquer outro ser que conheças. E se você nos fez o favor de trazer demônios a Terra que me parecem deveras interessados em nossas cidadelas, não me surpreenderia nem um pouco se eles fossem da mesma linhagem deste temível ser das trevas.
Herrera parece não acreditar no que acontecera e lamenta sua infelicidade.
- Mas como você pode estar tão certo, de que esses demônios que eu evoquei, tem alguma ligação com o tal Lord Arkhan? Pois eu acho que seria uma incrível coincidência, estes fatos estarem interligados! Exclama Herrera indo de encontro a seu mestre.
- Seria muita presunção minha, não levar em consideração presságios tão claros como estes, de forma que, a menos que eu esteja enganado, estamos correndo um grave perigo, real e imediato. Por via das dúvidas, mobilizarei toda a irmandade para certificar-me que tudo isto não passa de uma peça que o destino resolveu nos pregar! Retruca o Mago Supremo.
- Droga! Não pode ser, tem que haver uma saída para revertermos essa situação. Eu vou resolver isso de qualquer jeito! Interpela Herrera.
No entanto, o Mago Supremo o interrompe dizendo:
- Você está fora desse problema. Eu estou assumindo daqui!
- Mas mestre, eu quero ajudar, afinal de contas fui eu o causador de todo este transtorno e nada mais justo do que sujar minhas mãos! Exclama Herrera, inconsolado com a decisão de seu superior.
- Não discuta comigo! Você será escoltado até uma de nossas cidadelas, onde ficará em reclusão, até esta questão ser resolvida! Afirma Sombra, o Mago Supremo, a Herrera que calado apenas escuta seu mentor chamar sua camorra e com ar de preocupação delegar uma nova ordem:
- Diniz, quero que vocês peguem o meu carro e conduzam o nosso amigo a Cidadela das Sombras, onde ele permanecerá lá até resolvermos este problema. No caminho ele poderá explicar melhor, o que está acontecendo. Conto com vocês novamente! Exclama o Mago Supremo.
- Certamente, conte conosco para o que for preciso, creio que falo por todos aqui presentes. Afirma Diniz, encarando seus companheiros.
- Muito bem amigos, chegando à cidadela aguardem minhas instruções. Agora aviem-se, pois o tempo que nos resta é pequeno. Ressalta Sombra.
O Mago Supremo conduz seus companheiros até a porta e acenando despede-se mais uma vez, certo de que não estará sozinho nesta nova jornada. Dentro do carro, um corsa bordô, acomodam-se no banco de trás Blanco e Herrera, enquanto Garavelo ao volante é acompanhado por Diniz. A camorra parte para a Cidadela das Sombras. Sem escalas e em alta velocidade, levando consigo a incerteza do que o destino lhes reservou...
Continued...

Poema (Do jeito que for)

Mais um dia se passou
Na minha vida e o que restou
São só lembranças de você
Para acalmar a minha dor
Por vezes entro em torpor
E deixo o álcool me dizer...

Que o destino é mesmo assim
E ninguém pode evitar
Todo o início tem um fim
O qual devemos aceitar e enfrentar...

E o que tiver de ser será
Seja do jeito que for
Não tem hora nem lugar
Para descobrir um novo amor...

Machucado eu fiquei
Mas com a dor agora eu sei
Foi o melhor para nós dois
Muito tempo eu esperei
Tantas vezes eu pensei
Mas deixei para depois...

Pois o destino quis assim
Mais uma vez me ver chorar
O que era bom ficou ruim
Mas com o tempo irá mudar