sábado, 30 de agosto de 2008

Ben Stiller, ataca outra vez...

Infelizmente, quase ninguém no Brasil viu Extras, ótima série da televisão inglesa criada por Rick Gervais, o mesmo de The Office original. Primeiro porque passou na HBO Brasil, que poucas pessoas têm, e depois porque o DVD nunca saiu por aqui. Toda essa volta foi para lembrar que no primeiro episódio da série que retrata os bastidores da indústria cinematográfica, sob o ponto de vista dos figurantes ("extra" em inglês), o diretor do "filme" é Ben Stiller, que se deixa ser filmado como um cara asqueroso, cheio de si, que não pensa duas vezes antes de jogar na cara dos outros atores que já passou a mão na bunda da Cameron Diaz e fez milhões de dólares em bilheterias.
O episódio é quase um aquecimento para o que se vê em Trovão Tropical (Tropic Thunder, 2008), dirigido (esse de verdade) por Ben Stiller e que é uma grande sátira a Hollywood e seus atores cheios de regalias e estrelismos mil. Até mesmo as piadas sobre retardamento mental, adoção de crianças e pandas, que podem ser encaradas como politicamente incorretas, são na verdade críticas aos atores que encaram projetos desse tipo para se autopromover.
Diferente da atual mania de fazer paródia reiniciada pelos irmãos Wayans em Todo Mundo em Pânico (Scary Movie, 2000), Stiller e os co-roteiristas Justin Theroux e Etan Cohen optam pelo humor mais non-sense, com situações que se tornam engraçadas pela forma como os personagens as encaram, levando tudo aquilo a sério. Essa é a grande piada de 107 minutos que se prolonga sem se repetir.
A história começa logo depois que uma série de trailers apresenta os atores principais envolvidos na filmagem de uma mistura de Apocalypse Now (1979) com O Resgate do Soldaddo Rya (1998). Estão lá o rapper Alpa Chino (Brandon T. Jackson), o astro de ação Tugg Speedman (Ben Stiller), o comediante e cocainômano Jeff Portnoy (Jack Black) e o pavio curto Kirk Lazarus (Robert Downey Jr.). Quem os comanda é o diretor estreante Damien Cockburn (Steve Coogan), que após apenas uma semana de filmagens está 15 dias atrasado no seu cronograma e 100 milhões de dólares além do seu orçamento original. O produtor está na sua cola e o elenco de estrelas parece não se entender nem cena nem com as câmeras desligadas. Desesperado, o cineasta tenta uma última cartada: se embrenhar no meio da densa mata e utilizar câmeras escondidas para montar o mais realista dos filmes de guerra que o cinema já viu.
Como estamos falando de uma comédia de ação, é lógico que nem tudo vai correr conforme o planejado e logo os astros se envolvem em disputas pessoais e, para piorar, caem na mira do grupo de traficantes que domina a região. Aliás, vale a pena ser dito que tanto quanto o lado cômico, a ação também é muito bem trabalhada e nada deve às grandes fitas do gênero. Tal preocupação se mostra com a contratação do diretor de fotografia John Toll (Além da Linha Vermelha, Coração Valente, O Último Samurai) e o elevado o orçamento de estimados 92 milhões de dólares - acima, por exemplo, de O Procurado (Wanted, 2008), que custou 75 milhões - já contando o cachê dos astros, lógico.

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