Há coisas nesta vida que a gente só descobre por intermédio da internet. Graças a ela, aprendi por exemplo que em 20 de julho é celebrado o Dia do Amigo. Soube dessa curiosidade graças a um camarada que jamais vi, li ou ouvi na vida, mas que por possuir meu e-mail em sua lista, ao lado de mais uns 70 incautos destinatários que receberam a mesmíssima mensagem padronizada, enviou-nos um desedificante anexo de Power Point com mais de 1.000 KB, contendo fotos bucólicas de crianças brincando com um pôr-do-sol ao fundo, ilustradas por versos da indefectível canção do Milton Nascimento que diz que "amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito".
Uma rápida pesquisa esclareceu que o Dia do Amigo surgiu graças à iniciativa de Enrique Ernesto Febbraro, um professor argentino que viu o homem chegando à Lua no dia 20 de julho de 1969, por intermédio da missão tripulada Apollo XI, constatando que, naquele singelo momento histórico, toda a humanidade quedou-se em frente às televisões que exibiram aquele instante ao vivo, como se todas as fronteiras e diferenças ideológicas tivessem sido momentaneamente dissipadas.
De boas intenções, todos nós estamos cansados de saber que o inferno faz jus ao slogan que aquela marca de desodorante costumava propagar: "sempre cabe mais um com Rexona". Mas o fato é que, apesar da aparente ingenuidade de se propagar mais uma efeméride feito essa, que soa a invencionice para incrementar vendas de comércio e lotar nossas caixas postais com cartões virtuais piegas, fiquei pensando no conceito por vezes abstrato da Amizade.
Amigo, para mim, é aquela pessoa que tem a liberdade de pensar em voz alta na sua frente, dispensando floreios e dizendo o que realmente acha de suas atitudes. Porém, levando em consideração as sábias palavras de Leonardo da Vinci: "Repreende o amigo em segredo e elogia-o em público". É aquela pessoa a quem você empresta dinheiro, mas que faz questão de pagar a dívida antes mesmo que você pense em cobrá-la. Ou, viceversamente falando, é o cara com quem você pode contar nos dias em que é necessário vender o almoço para pagar o jantar.
É o ombro no qual você chora suas pitangas, nem que seja às duas da madrugada (por exemplo, quando você é surpreendido com desculpas infames como "não quero estragar a nossa amizade"), e que não pestaneja em lhe dar aqueles esporros necessários ou os afagos que seu ego combalido por vezes requer.
É bóbvio dizer que um verdadeiro amigo é muito mais do que um e-mail na lista de contatos do Gmail ou figurinha em seu álbum do Orkut, mas por vezes as maiores obviedades precisam ser reiteradas.
Quanto a mim, posso dizer que tenho a sorte de ter amigos de rara estirpe vida afora, daqueles que se reúnem em torno de uma mesa de bar e passam horas conversando, esquecidos dos ponteiros do relógio e das vicissitudes do dia-a-dia, inclusive tendo a sorte e o privilégio de ter me tornado colega de trabalho de vários deles.
Amigos compartilham nossos sonhos, neuras, paixões, decepções, alegrias. Riem das abobrinhas que a gente fala, têm à mão um lenço de papel nas horas que a gente necessita. E, principalmente no meu caso particular, compreendem quando eu demoro semanas para responder a um e-mail ou dar um telefonema; meus amigos necessitam ter paciência oriental.
Amigo é aquela pessoa que você não vê há meses, mas quando encontra faz aquela algazarra juvenil:
- Fala veado, cadê a sua mãe?- Tá lá na zona, aprendendo tudo com a sua!
Amigos falam palavrões com o mais inesperado dos carinhos. Respondem aos nossos rasgos de pieguice com um abraço. São o nosso amparo ao desconcerto com que este mundo é regido. E acreditam de olhos fechados na nossa versão da história.
Enfim, para resumir a história, desejo que todos os meus amigos encontrem a felicidade que eu sei que eles fazem por merecer. E ponto final!
sábado, 30 de agosto de 2008
Falar mal é barbada...
O querido leitor Tiago Cruz chamou minha atenção para uma crítica publicada na Folha de S. Paulo, no dia 29 de julho, de autoria de João Pereira Coutinho, que até um tempo atrás – antes de ele começar a se vangloriar de suas façanhas – eu apreciava bastante. O autor, não a crítica. Eu já tinha lido a dita cuja, mas de certa forma havia me identificado com Coutinho, que disse apenas o que pensa e, desta maneira, não justificaria uma refutação. Mas, porém, contudo, entretanto, pensando nos leitores do Bom de lingua, resolvi fazer minha própria análise da crítica, afinal se ele botou a cara pra bater é porque espera safanão. Eu bem sei.
O texto diz respeito ao filme Batman - O Cavaleiro das Trevas, e já começa preconceituoso quando diz que seres preocupados em salvar a humanidade não podem usar collants, máscaras, pinturas ou capas voadoras. Uma coisa é admitir o ridículo de se usar cueca por fora da roupa, outra é dizer que alguém vestido assim não pode salvar o mundo. Gandhi se vestia de quê? Algo bem próximo a um pano de chão, procure no Google uma imagem. De repente é o must na Índia, mas há de se admitir que se parece bastante com um pano de chão (ou lençol, nos dias mais frios). E se ele se maquiasse como os caras do Kiss, perderia a importância? Se estivesse nu? Cortado como Iggy Pop ou Sid Vicious? Ou só vale se for limpinho e asseado? Se fosse dar um jeito em São Paulo, poderia vir até de vassoura vestido de Tiririca. Eu não me importaria. Você?
Ah, sim, estamos falando de cinema. Mais um motivo pra que tudo possa, graças a Deus. Graças a Ele – seja Ele quem for - que criou a gente, existe arte, que tudo pode.
Coutinho acha que não. E acha que homens adultos, casados (ohhhh, homens casados = homens maduros. Ahan, conta outra.) que gostam de Batman e afins são, trocando em miúdos, impotentes. Foi ele quem disse, não eu. Eu já acho que se diverte, não tem que ser reprimido, muito pelo contrário. Aliás, reprimir sim causa impotência, assim como perversões sexuais. Eu me divirto horrores lendo Harry Potter, ouvindo Ramones e assistindo ao Monty Phyton e por isso sou iletrado? Sério mesmo? Ah, tá. Alguém ditou a regra que Monty Phyton (loucos, vestidos até de velhinhas arruaceiras, fazendo as coisas mais infantis do mundo) pode, então eu sou só meio iletrado.
Em uma coisa, porém, eu concordo: devemos dar a devida importância às coisas. Não adianta projetar significados extras à última saga do homem-morcego, querendo estipular metáforas com a nossa realidade e chegando ao extremo de dizer que Cavaleiro das Trevas não seria possível se não fosse o 11 de setembro, que, por sua vez, sozinho, levou o mundo à catástrofe de ser o que é hoje. Menos. Creio ser impossível criar algo sem ser um pouco contemporâneo (a não ser obras de época) e bebericar no mundo – podre há tempos, não depois de um dia específico – que nos rodeia, mas daí a querer traçar paralelos a torto e a direito sobre a obra de um artista é forçar a barra, é trabalho pra crítico... essa raça que nasceu para bisbilhotar a produção alheia. E da mesma forma, devemos dar a devida importância ao trabalho de Heath Ledger, e não entrar no coro de “ele merece o Oscar”. O cara esteve fabuloso, não lembrava nem de longe o insosso caubói de O Segredo de Brokeback Mountain. Morreu, pena, muita, mas é isso. Oscar a ele seria um contra-senso. Ainda que eu não duvide que role.
Para terminar o capítulo “bisbilhotando a vida alheia”, aponto o que pra mim é o maior erro de Coutinho: dar importância desmedida não só a um filme feito para divertir, como, principalmente, às críticas irreais que o longa rendeu: “Confrontado com Batman e Coringa, nenhum adulto equilibrado vê um super-herói e um supervilão. Vê, simplesmente, dois dementes de pijamas que fugiram do asilo da cidade”. Não sou equilibrada, portanto.
Guardo aqui pra mim que Coutinho invejava a fantasia de algum coleguinha no jardim da infância. Não é possível alguém inteligente se importar tanto com isso. Apesar de que alguém inteligente, inegável, que fica recitando quantos livros tem, quantas vezes já assistiu ao Casablanca, em que museu foi ontem, antes de ontem, na semana passada, e por aí vai, está com sérios problemas de auto-afirmação. Sabe aquela máxima de que homem que tem carrão está querendo compensar algo de sua anatomia que deixa a desejar em tamanho? Pois é...
E como ele diria, divago. Quase consigo imaginá-lo saindo do armário vestido de Demolidor para incorporar uma fantasia sexual anti-impotência. Ué, não tem gente que se veste de babá, mecânico, enfermeira? Demolidor está até num nível acima, exige um certo conhecimento, vai. Difícil ia ser segurar a crise de riso.
O texto diz respeito ao filme Batman - O Cavaleiro das Trevas, e já começa preconceituoso quando diz que seres preocupados em salvar a humanidade não podem usar collants, máscaras, pinturas ou capas voadoras. Uma coisa é admitir o ridículo de se usar cueca por fora da roupa, outra é dizer que alguém vestido assim não pode salvar o mundo. Gandhi se vestia de quê? Algo bem próximo a um pano de chão, procure no Google uma imagem. De repente é o must na Índia, mas há de se admitir que se parece bastante com um pano de chão (ou lençol, nos dias mais frios). E se ele se maquiasse como os caras do Kiss, perderia a importância? Se estivesse nu? Cortado como Iggy Pop ou Sid Vicious? Ou só vale se for limpinho e asseado? Se fosse dar um jeito em São Paulo, poderia vir até de vassoura vestido de Tiririca. Eu não me importaria. Você?
Ah, sim, estamos falando de cinema. Mais um motivo pra que tudo possa, graças a Deus. Graças a Ele – seja Ele quem for - que criou a gente, existe arte, que tudo pode.
Coutinho acha que não. E acha que homens adultos, casados (ohhhh, homens casados = homens maduros. Ahan, conta outra.) que gostam de Batman e afins são, trocando em miúdos, impotentes. Foi ele quem disse, não eu. Eu já acho que se diverte, não tem que ser reprimido, muito pelo contrário. Aliás, reprimir sim causa impotência, assim como perversões sexuais. Eu me divirto horrores lendo Harry Potter, ouvindo Ramones e assistindo ao Monty Phyton e por isso sou iletrado? Sério mesmo? Ah, tá. Alguém ditou a regra que Monty Phyton (loucos, vestidos até de velhinhas arruaceiras, fazendo as coisas mais infantis do mundo) pode, então eu sou só meio iletrado.
Em uma coisa, porém, eu concordo: devemos dar a devida importância às coisas. Não adianta projetar significados extras à última saga do homem-morcego, querendo estipular metáforas com a nossa realidade e chegando ao extremo de dizer que Cavaleiro das Trevas não seria possível se não fosse o 11 de setembro, que, por sua vez, sozinho, levou o mundo à catástrofe de ser o que é hoje. Menos. Creio ser impossível criar algo sem ser um pouco contemporâneo (a não ser obras de época) e bebericar no mundo – podre há tempos, não depois de um dia específico – que nos rodeia, mas daí a querer traçar paralelos a torto e a direito sobre a obra de um artista é forçar a barra, é trabalho pra crítico... essa raça que nasceu para bisbilhotar a produção alheia. E da mesma forma, devemos dar a devida importância ao trabalho de Heath Ledger, e não entrar no coro de “ele merece o Oscar”. O cara esteve fabuloso, não lembrava nem de longe o insosso caubói de O Segredo de Brokeback Mountain. Morreu, pena, muita, mas é isso. Oscar a ele seria um contra-senso. Ainda que eu não duvide que role.
Para terminar o capítulo “bisbilhotando a vida alheia”, aponto o que pra mim é o maior erro de Coutinho: dar importância desmedida não só a um filme feito para divertir, como, principalmente, às críticas irreais que o longa rendeu: “Confrontado com Batman e Coringa, nenhum adulto equilibrado vê um super-herói e um supervilão. Vê, simplesmente, dois dementes de pijamas que fugiram do asilo da cidade”. Não sou equilibrada, portanto.
Guardo aqui pra mim que Coutinho invejava a fantasia de algum coleguinha no jardim da infância. Não é possível alguém inteligente se importar tanto com isso. Apesar de que alguém inteligente, inegável, que fica recitando quantos livros tem, quantas vezes já assistiu ao Casablanca, em que museu foi ontem, antes de ontem, na semana passada, e por aí vai, está com sérios problemas de auto-afirmação. Sabe aquela máxima de que homem que tem carrão está querendo compensar algo de sua anatomia que deixa a desejar em tamanho? Pois é...
E como ele diria, divago. Quase consigo imaginá-lo saindo do armário vestido de Demolidor para incorporar uma fantasia sexual anti-impotência. Ué, não tem gente que se veste de babá, mecânico, enfermeira? Demolidor está até num nível acima, exige um certo conhecimento, vai. Difícil ia ser segurar a crise de riso.
Black ice
"Os australianos do AC/DC escolheram o seu site oficial e as redes 
de lojas Wal-Mart e Sam's Club para lançar com exclusividade seu novo álbum, Black Ice. O trabalho é o primeiro da banda em oito anos e sai no dia 20 de outubro.
O primeiro single do disco produzido por Brendan O'Brien é "Rock 'n' Roll Train". Além dele, que começa a ser tocado em 28 de agosto nas rádios dos EUA, haverá no dia 9 de setembro o lançamento do DVD No Bull: The Director's Cut. O filme traz a banda se apresentando na Plaza de Toros de las Ventas, em Madri, em 96. O último disco do AC/DC tinha sido o Stiff Upper Lip, de 2000.
Conheça as faixas de Black Ice:
"Rock 'n' Roll Train""Skies on Fire""Big Jack""Anything Goes""War Machine""Smash ´n´ Grab""Spoilin' for a Fight""Wheels""Decibel""Stormy May Day""She Likes Rock 'n' Roll""Money Made""Rock 'n' Roll Dream""Rocking All the Way"" Black Ice

de lojas Wal-Mart e Sam's Club para lançar com exclusividade seu novo álbum, Black Ice. O trabalho é o primeiro da banda em oito anos e sai no dia 20 de outubro.
O primeiro single do disco produzido por Brendan O'Brien é "Rock 'n' Roll Train". Além dele, que começa a ser tocado em 28 de agosto nas rádios dos EUA, haverá no dia 9 de setembro o lançamento do DVD No Bull: The Director's Cut. O filme traz a banda se apresentando na Plaza de Toros de las Ventas, em Madri, em 96. O último disco do AC/DC tinha sido o Stiff Upper Lip, de 2000.
Conheça as faixas de Black Ice:
"Rock 'n' Roll Train""Skies on Fire""Big Jack""Anything Goes""War Machine""Smash ´n´ Grab""Spoilin' for a Fight""Wheels""Decibel""Stormy May Day""She Likes Rock 'n' Roll""Money Made""Rock 'n' Roll Dream""Rocking All the Way"" Black Ice
Ben Stiller, ataca outra vez...
Infelizmente, quase ninguém no Brasil viu Extras, ótima série da televisão inglesa criada por Rick Gervais, o mesmo de The Office original. Primeiro porque passou na HBO Brasil, que poucas pessoas têm, e depois porque o DVD nunca saiu por aqui. Toda essa volta foi para lembrar que no primeiro episódio da série que retrata os bastidores da indústria cinematográfica, sob o ponto de vista dos figurantes ("extra" em inglês), o diretor do "filme" é Ben Stiller, que se deixa ser filmado como um cara asqueroso, cheio de si, que não pensa duas vezes antes de jogar na cara dos outros atores que já passou a mão na bunda da Cameron Diaz e fez milhões de dólares em bilheterias.O episódio é quase um aquecimento para o que se vê em Trovão Tropical (Tropic Thunder, 2008), dirigido (esse de verdade) por Ben Stiller e que é uma grande sátira a Hollywood e seus atores cheios de regalias e estrelismos mil. Até mesmo as piadas sobre retardamento mental, adoção de crianças e pandas, que podem ser encaradas como politicamente incorretas, são na verdade críticas aos atores que encaram projetos desse tipo para se autopromover.
Diferente da atual mania de fazer paródia reiniciada pelos irmãos Wayans em Todo Mundo em Pânico (Scary Movie, 2000), Stiller e os co-roteiristas Justin Theroux e Etan Cohen optam pelo humor mais non-sense, com situações que se tornam engraçadas pela forma como os personagens as encaram, levando tudo aquilo a sério. Essa é a grande piada de 107 minutos que se prolonga sem se repetir.
A história começa logo depois que uma série de trailers apresenta os atores principais envolvidos na filmagem de uma mistura de Apocalypse Now (1979) com O Resgate do Soldaddo Rya (1998). Estão lá o rapper Alpa Chino (Brandon T. Jackson), o astro de ação Tugg Speedman (Ben Stiller), o comediante e cocainômano Jeff Portnoy (Jack Black) e o pavio curto Kirk Lazarus (Robert Downey Jr.). Quem os comanda é o diretor estreante Damien Cockburn (Steve Coogan), que após apenas uma semana de filmagens está 15 dias atrasado no seu cronograma e 100 milhões de dólares além do seu orçamento original. O produtor está na sua cola e o elenco de estrelas parece não se entender nem cena nem com as câmeras desligadas. Desesperado, o cineasta tenta uma última cartada: se embrenhar no meio da densa mata e utilizar câmeras escondidas para montar o mais realista dos filmes de guerra que o cinema já viu.
Como estamos falando de uma comédia de ação, é lógico que nem tudo vai correr conforme o planejado e logo os astros se envolvem em disputas pessoais e, para piorar, caem na mira do grupo de traficantes que domina a região. Aliás, vale a pena ser dito que tanto quanto o lado cômico, a ação também é muito bem trabalhada e nada deve às grandes fitas do gênero. Tal preocupação se mostra com a contratação do diretor de fotografia John Toll (Além da Linha Vermelha, Coração Valente, O Último Samurai) e o elevado o orçamento de estimados 92 milhões de dólares - acima, por exemplo, de O Procurado (Wanted, 2008), que custou 75 milhões - já contando o cachê dos astros, lógico.
Novas da Marvel...

Participando da Fan Expo 2008, em Toronto, Canadá, a Marvel Comics anunciou diversos projetos com os X-Men para o fim deste ano e início de 2009. São minisséries e especiais ligados ao "universo coadjuvante" dos mutantes, bem como algumas viagens pelo passado dos personagens. Confira a lista:- X-Men: Kingbreaker, escrita por Chris Yost, serve como continuação da saga "Ascensão e Queda do Império Shiar", bem como da minissérie Emperor Vulcan, e segue Destrutor, Polaris e Rachel Grey em suas aventuras cósmicas contra Vulcan. A mini também é uma prévia de "War of Kings", saga cósmica da Marvel para 2009. Kingbreaker, em quatro capítulos, estréia em dezembro.
- Weapon X: First Class, outra minissérie, junta-se à linha "First Class" para recontar histórias do passado dos mutantes. O foco agora é no programa Arma X, que gerou Wolverine, Dentes-de-Sabre e vários outros personagens. Os roteiros são de Marc Sumerak e os desenhos de Mark Robinson e Tim Seeley. Estréia em novembro.
- Spider-Man/X-Men, por Christos Gage e o italiano Mario Alberti, é o projeto mais especial da lista. Em quatro edições, a minissérie vai retratar quatro diferentes momentos da relação entre Aranha e X-Men, dos anos 60 até hoje. A primeira história, por exemplo, mostra o Aranha e a equipe clássica dos mutantes. A segunda já aborda "Massacre de Mutantes" e "A Última Caçada de Kraven".
- O quarto projeto, ainda com o nome secreto, vem sendo divulgado pela Marvel através de imagens misteriosas - sempre em preto-e-branco com um toque de azul ou vermelho. Uma delas foi revelada na convenção de Toronto, com a frase "se já ouvi falar de Jean Grey?". Segundo rumores, é um projeto da linha O que aconteceria se que envolve os personagens mutantes em uma aventura western.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Escrevi o começo dessa história que vai abaixo,
A Tara de Nati.
Proponho a vocês, inteligentes leitorinhos, que façam a segunda parte.
Depois, escreverei a terceira, os leitores a quarta e assim iremos,
até o fecho de ouro, o grand finale, o the end.
Escolherei os melhores textos, a nata, a elite, a escola...
Mandem para o meu Email. ( nelsitoas@gmail.com)
Publicarei, com olas e estrelinhas, os capítulos selecionados e devidamente creditados.
Abaixo, minha parte da história...
"Nati tinha uma obsessão. Quase uma tara. Sentia necessidade de transformar os homens em escravos. Não lhe bastava que se apaixonassem, precisava reduzi-los a algo menos do que cachorrinhos. Precisava vê-los rastejar. E via.
Porque Nati não era uma mulher comum. Nati tinha pernas longas e olhar de aço, tinha cabelos negros e uma boca desdenhosa. Nati sorria pouco, mas, nas raras vezes em que sorria, derramava seu feitiço retina adentro do homem que a contemplava. Nati era uma mulher perigosa...
Sabia disso antes de conhecê-la. Sua fama a precedera. Mas pouco me importei com o que diziam dela ("Cuidado! Cuidado!"), quando a encontrei no bebedouro da firma. Disse-lhe boa tarde, apenas um boa tarde de revesgueio. E, em resposta, ela fincou nos meus olhos o seu olhar de aço — duro e frio.
Foi o suficiente para não esquecê-la mais. Desde aquela tarde, só pensava em Nati, Nati, Nati. Queria possuí-la. Queria que fosse minha. Queria beber do seu veneno. Sabia que poderia enfrentá-la. Que não seria seu escravo. Pensava que talvez pudesse domá-la e fazer dela a minha "Natizinha".
Assim pensando, descobri seu email. E, depois de muito pensar, enviei-lhe uma mensagem."
Escreva o email. Mandem para o meu email. Vamos ver o que acontece...
A Tara de Nati.
Proponho a vocês, inteligentes leitorinhos, que façam a segunda parte.
Depois, escreverei a terceira, os leitores a quarta e assim iremos,
até o fecho de ouro, o grand finale, o the end.
Escolherei os melhores textos, a nata, a elite, a escola...
Mandem para o meu Email. ( nelsitoas@gmail.com)
Publicarei, com olas e estrelinhas, os capítulos selecionados e devidamente creditados.
Abaixo, minha parte da história...
"Nati tinha uma obsessão. Quase uma tara. Sentia necessidade de transformar os homens em escravos. Não lhe bastava que se apaixonassem, precisava reduzi-los a algo menos do que cachorrinhos. Precisava vê-los rastejar. E via.
Porque Nati não era uma mulher comum. Nati tinha pernas longas e olhar de aço, tinha cabelos negros e uma boca desdenhosa. Nati sorria pouco, mas, nas raras vezes em que sorria, derramava seu feitiço retina adentro do homem que a contemplava. Nati era uma mulher perigosa...
Sabia disso antes de conhecê-la. Sua fama a precedera. Mas pouco me importei com o que diziam dela ("Cuidado! Cuidado!"), quando a encontrei no bebedouro da firma. Disse-lhe boa tarde, apenas um boa tarde de revesgueio. E, em resposta, ela fincou nos meus olhos o seu olhar de aço — duro e frio.
Foi o suficiente para não esquecê-la mais. Desde aquela tarde, só pensava em Nati, Nati, Nati. Queria possuí-la. Queria que fosse minha. Queria beber do seu veneno. Sabia que poderia enfrentá-la. Que não seria seu escravo. Pensava que talvez pudesse domá-la e fazer dela a minha "Natizinha".
Assim pensando, descobri seu email. E, depois de muito pensar, enviei-lhe uma mensagem."
Escreva o email. Mandem para o meu email. Vamos ver o que acontece...
Não nasci para fingir de santa...
Sou apenas uma jovem monja que não tem mais de dezesseis anos.
Rasparam minha pobre cabeça desde a mais tenra idade.
Meu pai de tanto amar os sutras budistas.
Minha mãe de tanto aos monges budistas obedecer.
Dia e noite, noite e dia, sem cessar,Eu queimo incenso e rezo pelos outros.
Ai! Só porque nasci uma pobre criança doentia...
Mandaram-me sumir no fundo de um mosteiro.
"Amitabha! Amitabha!",Vivo eu incessantemente a repetir.Ai!
Quanto estou cansada do rufar dos tambores...
E do tilintar das campainhas!
Cansada do sussurrar das preces e das melopéias e das ladainhas;
Dos cochichos e lamentos das orações ininteligíveis;
Dos clamores e clangores das intermináveis cantorias;
Do balbuciar e do murmurar dos monótonos salmos.
"Prajnaparamita, Mayura-sutra, Saddharmapundarika"
Oh, como eu vos odeio a todos!Enquanto a boca murmura:
"Mitabha",Intimamente eu suspiro: "Ai, meu prazer!
"Enquanto a voz entoa: "Saparah",Grita meu coração:
"O tempo voa!"Enquanto os lábios modulam: "Tarata",Minha alma insiste:
"Foge para longe!"Ah, se eu pudesse dar apenas um passeio...
Só um passeio, ah, se eu pudesse dar!"
(Neste ponto do poema, a monja caminha até a Galeria dos Quinhentos Lohans, os santos budistas, e esta parte da poesia é ainda mais genial em sensualidade e revolta)
Ei-los! Cá estão eles, os Lohans.Que turma de toleirões concupiscentes!
Que olhares deitam eles para mim!E cada qual que seja mais barbado!
Reparai no que comprime os joelhos trêmulos.Seus lábios só balbuciam o nome meu.
E o outro que pousa a face sobre a mão, não pensa em ninguém mais senão em mim.
E aquele que tem uns olhos sonhadores.Que outra heroína há nos seus sonhos senão eu?
Por que será, porém, que o vestido de estamenhaÉ o que vem por último?
Com seu infernal e satânico sorriso,Seu rugidor e mirabolante riso...
Rindo só para mim? Rindo só para mim, sim, eu sei por que:
Depois de apagada a beleza e morta a mocidade,
Quem ousará desposar uma ovelha envelhecida?
Quem desejará desposar um casulo engelhado,
Depois de morta a beleza e a juventude perdida?
Oh, tu que sustenta o dragão:És um cínico!E tu que empunhas uma flor:
Não passas de um escarninho!E tu, belo gigante de longos cílios,
Que te mostras tão apiedado,É de mim que te apiedas desde já,
Daquilo em que eu me tornarei depois de minha beleza perdida.
Ai, esses candelabros nos altares
Não irão iluminar o meu quarto de noiva jamais!
Nem este longos turíbulos de suave incenso,Servirão para a minha festa nupcial.
Nem os coxins e as esteiras de bambuPoderão servir-me de colcha ou travesseiro.
Oh, Deus, de onde me vem esse ardente e sufocante anseio?
Esse rábido, estranho, extraterreno anseio, de onde me virá?
Quero rasgar todas as minhas vestes monacais!
Quero queimar todos os budistas sutras!
Quero afogar um por um os peixes de madeira...
E abandonar para sempre este covil de abutres!
Oh, tamnbores e campainhas
E sinos,
E ladainhas,
Tudo eu abandonarei!
Todas as intermináveis e exasperantes rezarinas!
Depressa descerei das alturas deste monte...
E irei em busca do mais jovem e do mais belo amante.
E ainda que ele me despreze,
Me expulse...
Me dê pancada,
Prefiro isso a decorar feitiçarias!
"Mita, prajna, para!
"Não nasci para fingir de santa!
Rasparam minha pobre cabeça desde a mais tenra idade.
Meu pai de tanto amar os sutras budistas.
Minha mãe de tanto aos monges budistas obedecer.
Dia e noite, noite e dia, sem cessar,Eu queimo incenso e rezo pelos outros.
Ai! Só porque nasci uma pobre criança doentia...
Mandaram-me sumir no fundo de um mosteiro.
"Amitabha! Amitabha!",Vivo eu incessantemente a repetir.Ai!
Quanto estou cansada do rufar dos tambores...
E do tilintar das campainhas!
Cansada do sussurrar das preces e das melopéias e das ladainhas;
Dos cochichos e lamentos das orações ininteligíveis;
Dos clamores e clangores das intermináveis cantorias;
Do balbuciar e do murmurar dos monótonos salmos.
"Prajnaparamita, Mayura-sutra, Saddharmapundarika"
Oh, como eu vos odeio a todos!Enquanto a boca murmura:
"Mitabha",Intimamente eu suspiro: "Ai, meu prazer!
"Enquanto a voz entoa: "Saparah",Grita meu coração:
"O tempo voa!"Enquanto os lábios modulam: "Tarata",Minha alma insiste:
"Foge para longe!"Ah, se eu pudesse dar apenas um passeio...
Só um passeio, ah, se eu pudesse dar!"
(Neste ponto do poema, a monja caminha até a Galeria dos Quinhentos Lohans, os santos budistas, e esta parte da poesia é ainda mais genial em sensualidade e revolta)
Ei-los! Cá estão eles, os Lohans.Que turma de toleirões concupiscentes!
Que olhares deitam eles para mim!E cada qual que seja mais barbado!
Reparai no que comprime os joelhos trêmulos.Seus lábios só balbuciam o nome meu.
E o outro que pousa a face sobre a mão, não pensa em ninguém mais senão em mim.
E aquele que tem uns olhos sonhadores.Que outra heroína há nos seus sonhos senão eu?
Por que será, porém, que o vestido de estamenhaÉ o que vem por último?
Com seu infernal e satânico sorriso,Seu rugidor e mirabolante riso...
Rindo só para mim? Rindo só para mim, sim, eu sei por que:
Depois de apagada a beleza e morta a mocidade,
Quem ousará desposar uma ovelha envelhecida?
Quem desejará desposar um casulo engelhado,
Depois de morta a beleza e a juventude perdida?
Oh, tu que sustenta o dragão:És um cínico!E tu que empunhas uma flor:
Não passas de um escarninho!E tu, belo gigante de longos cílios,
Que te mostras tão apiedado,É de mim que te apiedas desde já,
Daquilo em que eu me tornarei depois de minha beleza perdida.
Ai, esses candelabros nos altares
Não irão iluminar o meu quarto de noiva jamais!
Nem este longos turíbulos de suave incenso,Servirão para a minha festa nupcial.
Nem os coxins e as esteiras de bambuPoderão servir-me de colcha ou travesseiro.
Oh, Deus, de onde me vem esse ardente e sufocante anseio?
Esse rábido, estranho, extraterreno anseio, de onde me virá?
Quero rasgar todas as minhas vestes monacais!
Quero queimar todos os budistas sutras!
Quero afogar um por um os peixes de madeira...
E abandonar para sempre este covil de abutres!
Oh, tamnbores e campainhas
E sinos,
E ladainhas,
Tudo eu abandonarei!
Todas as intermináveis e exasperantes rezarinas!
Depressa descerei das alturas deste monte...
E irei em busca do mais jovem e do mais belo amante.
E ainda que ele me despreze,
Me expulse...
Me dê pancada,
Prefiro isso a decorar feitiçarias!
"Mita, prajna, para!
"Não nasci para fingir de santa!
domingo, 24 de agosto de 2008
Os caminhos da lei...
Entrou em vigor ontem na Holanda uma exótica lei, pela qual não é permitido fumar tabaco em bares, cafés e discotecas e no entanto permite que os clientes fumem maconha no interior desses estabelecimentos.
A lei holandesa, desde 1976, autorizou o consumo de uma quantidade de maconha em lugares que têm licença específica, desde que os usuários comprem apenas cinco gramas por dia.
Cada dose de maconha, com cinco gramas, custa entre R$ 20,80 e R$ 152, dependendo da qualidade e da origem do produto.
Com essa legalização do uso da maconha, a Holanda terminou com o mercado ilegal da droga e reduziu os índices de criminalidade. Não há dúvida de que se isso fosse adotado no Brasil obteria o mesmo resultado, melhor até, porque acabaria com o tráfico da droga e todo o morticínio por tiros que ele provoca nas cidades.
Só que, para obter maior duração para seu vício de maconha, os usuários na Holanda a misturam com o tabaco. No entanto, a nova lei dos bares e cafés não permite a mistura da maconha e do tabaco dentro dos bares e cafés.
Nesses lugares, só se permite fumar maconha. Tabaco nem puro, nem misturado. Quem quiser misturar terá de fumar nas calçadas ou em lugares ao ar livre.
Dá para entender uma coisa dessas?
Evidentemente que a proibição de fumar tabaco nos bares, cafés e discotecas não tem a ver com a saúde mental dos usuários. Tem a ver, como aqui no Brasil, com a higiene dos ambientes, aquela coisa de que a fumaça do cigarro perturba e infesta os não-fumantes.
Mas como é, então, que a lei holandesa permite fumar maconha dentro dos bares e cafés e discotecas? Se a maconha provoca a mesma fumaça do tabaco e ainda dela exala um cheiro desagradável, como se permite que ela seja fumada em lugares fechados da Holanda?
Ou seja, incrivelmente, na Holanda, a maconha é mais bem-vista e bem-vinda que o tabaco.
Lá na Holanda, tanto a maconha quanto o tabaco são drogas lícitas. Podem ser comprados para serem consumidos em casa ou em lugares ao ar livre.
E, aqui no Brasil, o tabaco é droga lícita, é vendido em todos os lugares. E o álcool é outra droga lícita, compra-se onde se quiser.
Em suma, a lei de tolerância zero para o álcool no trânsito proibiu uma droga lícita. E no entanto, para surpresa geral, no trânsito é permitido o uso de maconha e cocaína, drogas ilícitas, ou seja, quem for apanhado numa batida policial tendo consumido maconha ou cocaína, não será detido, irá embora.
E quem for apanhado tendo consumido álcool será multado ou preso.
Dá para entender?
No Brasil, portanto, em matéria de trânsito, proibiu-se uma droga lícita e permitem-se drogas ilícitas.
Não deixa de ser intrigante.
Como também o é o depoimento de casais que dizem estar se revezando nos bares e restaurantes, um dia é o homem que não bebe e dirige, a mulher por sua vez bebe e não dirige, no dia seguinte é o contrário, trocam de posição.
Um homem declarou que está amargurado porque quis fazer isso com sua mulher e não conseguiu: ela não abre mão de beber álcool todas as vezes em que vão comer fora.
Nunca tinha visto uma lei que tanto abalasse o comportamento das pessoas como esta da tolerância zero.
Antes, havia vários dispositivos penais que criminalizavam o álcool, mas, como poucos eram os flagrados, ninguém ligava para eles.
Agora não: todos que bebem álcool, até em pequena quantidade, estão ameaçados de graves danos.
É uma lei transformadora e amedrontadora.
A lei holandesa, desde 1976, autorizou o consumo de uma quantidade de maconha em lugares que têm licença específica, desde que os usuários comprem apenas cinco gramas por dia.
Cada dose de maconha, com cinco gramas, custa entre R$ 20,80 e R$ 152, dependendo da qualidade e da origem do produto.
Com essa legalização do uso da maconha, a Holanda terminou com o mercado ilegal da droga e reduziu os índices de criminalidade. Não há dúvida de que se isso fosse adotado no Brasil obteria o mesmo resultado, melhor até, porque acabaria com o tráfico da droga e todo o morticínio por tiros que ele provoca nas cidades.
Só que, para obter maior duração para seu vício de maconha, os usuários na Holanda a misturam com o tabaco. No entanto, a nova lei dos bares e cafés não permite a mistura da maconha e do tabaco dentro dos bares e cafés.
Nesses lugares, só se permite fumar maconha. Tabaco nem puro, nem misturado. Quem quiser misturar terá de fumar nas calçadas ou em lugares ao ar livre.
Dá para entender uma coisa dessas?
Evidentemente que a proibição de fumar tabaco nos bares, cafés e discotecas não tem a ver com a saúde mental dos usuários. Tem a ver, como aqui no Brasil, com a higiene dos ambientes, aquela coisa de que a fumaça do cigarro perturba e infesta os não-fumantes.
Mas como é, então, que a lei holandesa permite fumar maconha dentro dos bares e cafés e discotecas? Se a maconha provoca a mesma fumaça do tabaco e ainda dela exala um cheiro desagradável, como se permite que ela seja fumada em lugares fechados da Holanda?
Ou seja, incrivelmente, na Holanda, a maconha é mais bem-vista e bem-vinda que o tabaco.
Lá na Holanda, tanto a maconha quanto o tabaco são drogas lícitas. Podem ser comprados para serem consumidos em casa ou em lugares ao ar livre.
E, aqui no Brasil, o tabaco é droga lícita, é vendido em todos os lugares. E o álcool é outra droga lícita, compra-se onde se quiser.
Em suma, a lei de tolerância zero para o álcool no trânsito proibiu uma droga lícita. E no entanto, para surpresa geral, no trânsito é permitido o uso de maconha e cocaína, drogas ilícitas, ou seja, quem for apanhado numa batida policial tendo consumido maconha ou cocaína, não será detido, irá embora.
E quem for apanhado tendo consumido álcool será multado ou preso.
Dá para entender?
No Brasil, portanto, em matéria de trânsito, proibiu-se uma droga lícita e permitem-se drogas ilícitas.
Não deixa de ser intrigante.
Como também o é o depoimento de casais que dizem estar se revezando nos bares e restaurantes, um dia é o homem que não bebe e dirige, a mulher por sua vez bebe e não dirige, no dia seguinte é o contrário, trocam de posição.
Um homem declarou que está amargurado porque quis fazer isso com sua mulher e não conseguiu: ela não abre mão de beber álcool todas as vezes em que vão comer fora.
Nunca tinha visto uma lei que tanto abalasse o comportamento das pessoas como esta da tolerância zero.
Antes, havia vários dispositivos penais que criminalizavam o álcool, mas, como poucos eram os flagrados, ninguém ligava para eles.
Agora não: todos que bebem álcool, até em pequena quantidade, estão ameaçados de graves danos.
É uma lei transformadora e amedrontadora.
Só alegria...
O tédio tem de ser um aborrecimento passageiro. Se a pessoa está permanentemente dominada pelo tédio, isto deixa de ser tédio para ser melancolia grave ou até depressão. O tédio e a rotina são inimigos perversos do homem. Há o tédio da rotina e a rotina do tédio. Só a segunda é uma doença. É preciso ter muita inventividade para driblar tanto o tédio quanto a rotina.
***
O tedioso é um ser inviável. Ele tanto pode ter tédio por estar desempregado quanto por estar empregado e não satisfeito com seu emprego. Casado ou solteiro, o tedioso terá argumentos contra sua condição. Ele está sempre querendo estar onde não está. Tanto pode odiar a pobreza porque ela o aflige por não poder fazer o que pretendia quanto odeia também a riqueza porque ela lhe impõe o tédio de impedi-lo de ter ambições.
***
O tédio é filho legítimo do pessimismo. O pessimismo é um dos mais terríveis defeitos ou doenças mentais. Para o pessimista, não há salvação. Quando ele está bem, acha que não vai durar a sua situação. Quando está mal, acha que vai durar infindavelmente a sua situação. O pessimista confia na infelicidade e desconfia da felicidade. Ele se julga imerecedor da felicidade. Quando o pessimista está feliz, ele pensa que algo de errado está acontecendo. Se a alegria bater na porta do pessimista, ele manda dizer que não está. Se no entanto o sofrimento bater à porta do pessimista, ele se apresenta a ele, manda que entre, sente-se e sinta-se como se estivesse em sua casa.
***
Se o tédio é filho legítimo do pessimismo, o mau humor é filho legítimo do tédio. Não pode haver pessoa menos capacitada para as relações humanas do que o mal-humorado. Toda a alegria dos circunstantes ao mal-humorado tromba com o mau humor dele. O mal-humorado é mais nocivo no meio social do que o chato. Ainda se convive com um chato, mas não há como tolerar um mal-humorado, até mesmo porque ele se mostra sempre intolerante com os outros. Quase todos os tipos de agressões verbais ou gestuais nascem do mau humor. Não há nada mais agradável nas relações humanas do que topar com um bem-humorado. Mesmo que ele esteja amargurado, sua conduta sempre se caracteriza pela alegria. É um método inteligente que ele usa para espantar a tristeza. E consegue. O bom humor é o mais valioso dos atributos humanos.
***
E antes de ser um atributo, o bom humor é um dever: ninguém que seja gregário tem o direito de ser mal-humorado. Por isso, o mal-humorado deve possuir a autocrítica de se tornar sozinho, com a finalidade de não empestar as pessoas que o cercam. A conseqüência natural do mau humor é a agressividade. A gentileza, o afeto, o amor, todos esses gestos ou sentimentos são incompatíveis com o mau humor.
***
Os tediosos e os mal-humorados têm de realizar o esforço supremo de alimentarem-se de luz e nutrirem-se de alegria. Isso inicialmente pode ser apenas um drible na sua alegria ou um fingimento. Mas não há outra forma de escapar ao mau humor ou ao tédio do que começar por fingir. E o bom humor, mesmo que fingido, pode depois incorporar-se definitivamente à personalidade, afastando verdadeiramente o tédio.
Alegria, alegria! Alegria é um dever social.
***
O tedioso é um ser inviável. Ele tanto pode ter tédio por estar desempregado quanto por estar empregado e não satisfeito com seu emprego. Casado ou solteiro, o tedioso terá argumentos contra sua condição. Ele está sempre querendo estar onde não está. Tanto pode odiar a pobreza porque ela o aflige por não poder fazer o que pretendia quanto odeia também a riqueza porque ela lhe impõe o tédio de impedi-lo de ter ambições.
***
O tédio é filho legítimo do pessimismo. O pessimismo é um dos mais terríveis defeitos ou doenças mentais. Para o pessimista, não há salvação. Quando ele está bem, acha que não vai durar a sua situação. Quando está mal, acha que vai durar infindavelmente a sua situação. O pessimista confia na infelicidade e desconfia da felicidade. Ele se julga imerecedor da felicidade. Quando o pessimista está feliz, ele pensa que algo de errado está acontecendo. Se a alegria bater na porta do pessimista, ele manda dizer que não está. Se no entanto o sofrimento bater à porta do pessimista, ele se apresenta a ele, manda que entre, sente-se e sinta-se como se estivesse em sua casa.
***
Se o tédio é filho legítimo do pessimismo, o mau humor é filho legítimo do tédio. Não pode haver pessoa menos capacitada para as relações humanas do que o mal-humorado. Toda a alegria dos circunstantes ao mal-humorado tromba com o mau humor dele. O mal-humorado é mais nocivo no meio social do que o chato. Ainda se convive com um chato, mas não há como tolerar um mal-humorado, até mesmo porque ele se mostra sempre intolerante com os outros. Quase todos os tipos de agressões verbais ou gestuais nascem do mau humor. Não há nada mais agradável nas relações humanas do que topar com um bem-humorado. Mesmo que ele esteja amargurado, sua conduta sempre se caracteriza pela alegria. É um método inteligente que ele usa para espantar a tristeza. E consegue. O bom humor é o mais valioso dos atributos humanos.
***
E antes de ser um atributo, o bom humor é um dever: ninguém que seja gregário tem o direito de ser mal-humorado. Por isso, o mal-humorado deve possuir a autocrítica de se tornar sozinho, com a finalidade de não empestar as pessoas que o cercam. A conseqüência natural do mau humor é a agressividade. A gentileza, o afeto, o amor, todos esses gestos ou sentimentos são incompatíveis com o mau humor.
***
Os tediosos e os mal-humorados têm de realizar o esforço supremo de alimentarem-se de luz e nutrirem-se de alegria. Isso inicialmente pode ser apenas um drible na sua alegria ou um fingimento. Mas não há outra forma de escapar ao mau humor ou ao tédio do que começar por fingir. E o bom humor, mesmo que fingido, pode depois incorporar-se definitivamente à personalidade, afastando verdadeiramente o tédio.
Alegria, alegria! Alegria é um dever social.
O ponto G...
Desde criança aprendi ou me ensinaram que a mulher tem um "ponto fraco''. Ou seja, há uma zona erógena de alta sensibilidade no corpo feminino, tendo entrado na minha cabeça que caberia ao homem descobri-la se quisesse realizar-se sexualmente. Como se sabe, o homem só se realiza sexualmente se satisfizer inteiramente a sua parceira na cama.
Isso nunca saiu da minha cabeça e não sai da cabeça de nenhum homem. Recentemente a ciência revelou a existência do ponto "G'', uma zona periférica ou interna do corpo da mulher que ativa todas as suas energias de prazer, sendo indispensável essa descoberta para que haja a realização dela durante o sexo. Se tocar no ponto, é uma loucura.
Para dizer a verdade, eu acho tudo isso uma cretinice. Porque através dos anos muitas mulheres fizeram comigo o que fazem com todos os homens: "Descobre tu o meu ponto fraco. Não vou revelar-te. Esse é um segredo que guardo a quatro chaves. Cabe a ti a descoberta do tesouro, se o fizeres me conquistas''. É mais ou menos assim que grande parte das mulheres se pronuncia ou se comporta silenciosamente.
Em primeiro lugar, a denominação "ponto fraco'' é inteiramente errada. Tinha que ser "ponto forte''. Ponto fraco quer dizer que, caso seja descoberto ou tocado pelo homem, fará com que a mulher se renda. Ora, o amor não é um combate, em que um vence e outro é derrotado. Se por acaso esse ponto fraco ou "G'' existe mesmo, a mulher não tinha nada que ocultá-lo.
Parece até que ela se vitoria quando o homem não descobre o tal local erótico, tendo interesse profundo em não declará-lo ao seu parceiro. Como se a descoberta dessa chave primal do prazer fosse prejudicá-la, dando a entender que ela não quer entregar-se para qualquer um, que só o grande descobridor é que terá o direito de possuí-la inteiramente.
Se a mulher foi fazer sexo com um homem, é lógico e evidente que ela procura prazer. Por que então dificultá-lo, escondendo aquela área miraculosa que fará com que ela exploda para a total satisfação?
O que há em verdade, confirmadíssimo pelos sexólogos, é uma complicação no organismo de muitas mulheres que dificulta o conhecimento do orgasmo, às vezes até causada por inabilidade do homem.
Há depoimentos e estatísticas colhidas junto ao mundo feminino que demonstram que muitas mulheres nunca tiveram orgasmo. Ou então só foram conhecê-lo depois de longos exercícios sexuais, após muitos anos. Outras, incrivelmente, têm o orgasmo e pensam que não têm. E uma grande parte não tem e acha que tem.
Vai você, como homem, dormir com um barulho destes. Uma vez fiquei cinco anos tentando descobrir o ponto fraco de uma mulher. Uma imbecilidade minha e, acima de tudo, dela. Por que esta mulher não me abriu desde logo o jogo, dizendo onde se localizava o tal ponto fraco?
Por que — e é aí que quero chegar — as mulheres não declaram de pronto a seus maridos ou parceiros qual o ponto de seu corpo que as deixa excitadíssima, facilitando assim para elas e para eles os jogos sexuais?
Que besteira e atraso é este de ficar escondendo o jogo? Se é um bafo na orelha, uma mordiscada, um beijo na axila, um leve puxão nos cabelos, por que não declará-lo francamente ao seu homem, desvendando desde já o caminho para o Éden? Não é burrice querer que o sujeito descubra por moto próprio, perdendo tanto tempo e às vezes até malbaratando um grande amor ou um enorme prazer?
Em realidade, o tal ponto fraco ou "G'' é uma grande fraude. Nem as mulheres o conhecem. Desconfiam apenas que o têm e, com receio de não o possuírem e estarem incapacitadas temporária ou definitivamente para o prazer, transferem aos homens a epopéia de descobri-lo.
Se você for homem, não embarque nessa. Se for mulher, abra o jogo imediatamente sobre seu ponto "G'' para seu parceiro. Ou, caso não possua esse ponto, abra o jogo da mesma forma e esforcem-se os dois para descobri-lo.
Fica mais fácil, mais prometedor, mais transparente e, acima de tudo, mais inteligente assim.
Isso nunca saiu da minha cabeça e não sai da cabeça de nenhum homem. Recentemente a ciência revelou a existência do ponto "G'', uma zona periférica ou interna do corpo da mulher que ativa todas as suas energias de prazer, sendo indispensável essa descoberta para que haja a realização dela durante o sexo. Se tocar no ponto, é uma loucura.
Para dizer a verdade, eu acho tudo isso uma cretinice. Porque através dos anos muitas mulheres fizeram comigo o que fazem com todos os homens: "Descobre tu o meu ponto fraco. Não vou revelar-te. Esse é um segredo que guardo a quatro chaves. Cabe a ti a descoberta do tesouro, se o fizeres me conquistas''. É mais ou menos assim que grande parte das mulheres se pronuncia ou se comporta silenciosamente.
Em primeiro lugar, a denominação "ponto fraco'' é inteiramente errada. Tinha que ser "ponto forte''. Ponto fraco quer dizer que, caso seja descoberto ou tocado pelo homem, fará com que a mulher se renda. Ora, o amor não é um combate, em que um vence e outro é derrotado. Se por acaso esse ponto fraco ou "G'' existe mesmo, a mulher não tinha nada que ocultá-lo.
Parece até que ela se vitoria quando o homem não descobre o tal local erótico, tendo interesse profundo em não declará-lo ao seu parceiro. Como se a descoberta dessa chave primal do prazer fosse prejudicá-la, dando a entender que ela não quer entregar-se para qualquer um, que só o grande descobridor é que terá o direito de possuí-la inteiramente.
Se a mulher foi fazer sexo com um homem, é lógico e evidente que ela procura prazer. Por que então dificultá-lo, escondendo aquela área miraculosa que fará com que ela exploda para a total satisfação?
O que há em verdade, confirmadíssimo pelos sexólogos, é uma complicação no organismo de muitas mulheres que dificulta o conhecimento do orgasmo, às vezes até causada por inabilidade do homem.
Há depoimentos e estatísticas colhidas junto ao mundo feminino que demonstram que muitas mulheres nunca tiveram orgasmo. Ou então só foram conhecê-lo depois de longos exercícios sexuais, após muitos anos. Outras, incrivelmente, têm o orgasmo e pensam que não têm. E uma grande parte não tem e acha que tem.
Vai você, como homem, dormir com um barulho destes. Uma vez fiquei cinco anos tentando descobrir o ponto fraco de uma mulher. Uma imbecilidade minha e, acima de tudo, dela. Por que esta mulher não me abriu desde logo o jogo, dizendo onde se localizava o tal ponto fraco?
Por que — e é aí que quero chegar — as mulheres não declaram de pronto a seus maridos ou parceiros qual o ponto de seu corpo que as deixa excitadíssima, facilitando assim para elas e para eles os jogos sexuais?
Que besteira e atraso é este de ficar escondendo o jogo? Se é um bafo na orelha, uma mordiscada, um beijo na axila, um leve puxão nos cabelos, por que não declará-lo francamente ao seu homem, desvendando desde já o caminho para o Éden? Não é burrice querer que o sujeito descubra por moto próprio, perdendo tanto tempo e às vezes até malbaratando um grande amor ou um enorme prazer?
Em realidade, o tal ponto fraco ou "G'' é uma grande fraude. Nem as mulheres o conhecem. Desconfiam apenas que o têm e, com receio de não o possuírem e estarem incapacitadas temporária ou definitivamente para o prazer, transferem aos homens a epopéia de descobri-lo.
Se você for homem, não embarque nessa. Se for mulher, abra o jogo imediatamente sobre seu ponto "G'' para seu parceiro. Ou, caso não possua esse ponto, abra o jogo da mesma forma e esforcem-se os dois para descobri-lo.
Fica mais fácil, mais prometedor, mais transparente e, acima de tudo, mais inteligente assim.
Mais uma da lingua Portuguesa
Sem pressa...
Foi com essa filosofia regada a tranqüilidade de uma cidade longe das metrópoles que um barbeiro de Araraquara, no interior de São Paulo, criou um projeto único e inusitado. I
magine montar uma frase intera apenas com palavras iniciadas com a letra "P".
É difícil.
Agora, pense em escrever um livro com 180 páginas e 38 personagens da mesma maneira.
Parece impossível ou pouco provável, mas o barbeiro e escritor Dovílio Rodrigues, 71 anos, teve a façanha de construir ao longo de quatro anos essa história de forma seqüencial divididas em 20.794 palavras iniciadas com "P".
O livro, que ele considera um feito histórico e inigualável, foi batizado de Pentapaixão, publicado pela Editora Unigraf.
Vejam uma amostra do livro.
Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais.
Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos.
Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir.
Posteriormente, partiu para Pirapora.
Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres.
Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.
Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris.
Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los.
Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se, principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas.
Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se.
Profundas privações passou Pedro Paulo.
Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal.
Povo previdente! pensava Pedro Paulo...
- Preciso partir para Portugal por que pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses.
Foi com essa filosofia regada a tranqüilidade de uma cidade longe das metrópoles que um barbeiro de Araraquara, no interior de São Paulo, criou um projeto único e inusitado. I
magine montar uma frase intera apenas com palavras iniciadas com a letra "P".
É difícil.
Agora, pense em escrever um livro com 180 páginas e 38 personagens da mesma maneira.
Parece impossível ou pouco provável, mas o barbeiro e escritor Dovílio Rodrigues, 71 anos, teve a façanha de construir ao longo de quatro anos essa história de forma seqüencial divididas em 20.794 palavras iniciadas com "P".
O livro, que ele considera um feito histórico e inigualável, foi batizado de Pentapaixão, publicado pela Editora Unigraf.
Vejam uma amostra do livro.
Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais.
Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos.
Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir.
Posteriormente, partiu para Pirapora.
Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres.
Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.
Pálido, porém personalizado, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris.
Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los.
Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se, principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas.
Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se.
Profundas privações passou Pedro Paulo.
Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal.
Povo previdente! pensava Pedro Paulo...
- Preciso partir para Portugal por que pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Texto sem a letra A
Sem nenhum tropeço posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo isso permitindo mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível.
Pode-se dizer tudo, com sentido completo, mesmo sendo como se isto fosse mero ovo de Colombo.
Desde que se tente sem se pôr iníbio pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.
Trechos difíceis se resolvem com sinônimos.
Observe-se bem: é certo que, em se querendo esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo.
Brinque-se mesmo com tudo.
É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo sem o "P", "R" ou "F", o que quiser escolher, podemos, em corrente estilo, repetir um som sempre ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir.
Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos.
Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês.
Por quê?
Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores.
Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.
Pode-se dizer tudo, com sentido completo, mesmo sendo como se isto fosse mero ovo de Colombo.
Desde que se tente sem se pôr iníbio pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.
Trechos difíceis se resolvem com sinônimos.
Observe-se bem: é certo que, em se querendo esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo.
Brinque-se mesmo com tudo.
É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo sem o "P", "R" ou "F", o que quiser escolher, podemos, em corrente estilo, repetir um som sempre ou mesmo escrever sem verbos.
Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir.
Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos.
Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês.
Por quê?
Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.
Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores.
Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos.
Scarlet Johansson
De primeira é aquele sopro. E ele vem como o Minuano, rompendo tudo, deixando a temperatura contada em celsius ainda mais baixa. Aquela história de sensação térmica... mas o sopro é forte. De fora, se ouve o barulho, parece que tudo vai sair e o que as sinapses avisam só o seguinte: corra pra uma latrina! O mais rápido possível! Ali, sentado, com as pernas tremendo e o descontrole completo do corpo tu vê o teu tamanho nesse mundão. Ali, apavorado com a barulheira, tu sente que aquela outra história, da sementinha no mundo, do grão de areia, é verdadeira como a Libertadores de 2006. Um homem, sentado no vaso, se recolhe na imensa insignificância que é. Ali, Sarkozy, Dinho Cangaceiro, Buda, Franz Ferdinand, Neto Fagundes, Materazzi, Inri Cristo e até Scarlet Johansson são meros figurantes. Uma caganeira destrói tua alta estima, mas coloca os pés no chão. Um homem cagado deixa de ser grande pra ser um mero cagão. Essas últimas 48 horas demonstraram o tão fraco sou. E nesse meio tempo, haja papel higiênico. E da marca Sulina... Até Scarlett vira humana...é pra aprender que bosta é o recôncavo que todo homem precisa pra saber seu tamanho real. Ai!!! Aí vem de novo!!! (Corra pro banheiro! Corra pro Banheiro!!!)
sábado, 9 de agosto de 2008
A Vírgula
A vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.
Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.
Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.
Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
E vilões.Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.
Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
Uma vírgula muda tudo.
Não, espere.
Não espere.
Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.
Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.
Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
E vilões.Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.
Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
Uma vírgula muda tudo.
O Preço De Um Filho
Esses dias calcularam o custo para criar um filho, do seu nascimento aos 18 anos. São US$160.140,00 para uma família de classe média. O valor é chocante! E esse valor não cobre a formação escolar.
Mas, se você parcelar, US$160.140,00 não é tão ruim assim. Ele se traduz em:
* US$8.896,66 por ano* US$741,38 por mês* US$171,08 por semana
* E meros US$24,24 por dia.
* Cerca de um dólar por hora.
O que você ganha com US$160.140,00?
* Direito de dar nomes. O primeiro, o do meio e o último.
* Olhares de Deus todos os dias.
* Risadinhas debaixo das cobertas todas as noites.
* Mais amor do que seu coração pode suportar.* Beijos jogados no ar e abraços com velcro.
* Infinitas admirações por pedras, formigas, nuvens e biscoitos.* Uma mão para segurar, normalmente suja de geléia ou chocolates.
* Um parceiro para fazer bolhas de sabão, soltar pipas.
* Alguém para fazer você rir como bobo, não importa o que seu chefe tenha dito ou como as bolsas se comportaram nesse dia.
Por US$160.140,00 você não precisará crescer nunca. Você deve:
* Ter os dedos sujos de tinta,* modelar abóboras,
* brincar de esconde-esconde,
* pegar vaga-lumes, e
* nunca parar de acreditar em Papai Noel.
Você terá uma desculpa para…
* Continuar a ler as Aventuras do Ursinho Pooh,
* Assistir desenhos animados ao sábado pela manhã.* Assistir filmes da Disney,
* Fazer pedidos a estrelas.
Você recebe molduras de arco-íris, de corações ou flores sob imãs de geladeira ; conjunto de mãos impressas em argila para o Dia das Mães, e cartões com letras viradas para o Dia dos Pais.
Por US$160.140,00, não há outro jeito mais fácil de ficar famoso.
Você é um herói apenas por …
* recuperar uma bola do telhado da garagem, * retirar as rodinhas da bicicleta,
* remover uma farpa, * encher uma piscina de plástico,
* fazer bola de chiclete sem estourar e treinar um time de futebol que nunca vence mas sempre recebe sorvete de prêmio.
Você tem lugar na primeira fila da “história” como testemunha …
* Dos primeiros passos,* Das primeiras palavras,* Do primeiro sutiã,
* Do primeiro namoro, e* Da primeira vez atrás do volante de um carro.
Você fica imortal.
Você tem um novo braço na sua árvore genealógica e, se tiver sorte, uma longa lista de membros no seu obituário, chamados netos e bisnetos.
Você recebe formação em psicologia, enfermagem, justiça criminal, comunicação e sexualidade humana que nenhuma faculdade pode lhe dar.
Aos olhos de uma criança, você localiza-se logo abaixo de Deus.
Você tem poder para curar um choro, espantar os monstros que estão debaixo da cama, remendar um coração partido, policiar uma festa sonolenta, cultivá-los sempre e amá-los sem limites. E assim algum dia, eles como você, amarão sem medir os custos.
É um excelente negócio por esse preço!
É o melhor investimento que você fará.
Mas, se você parcelar, US$160.140,00 não é tão ruim assim. Ele se traduz em:
* US$8.896,66 por ano* US$741,38 por mês* US$171,08 por semana
* E meros US$24,24 por dia.
* Cerca de um dólar por hora.
O que você ganha com US$160.140,00?
* Direito de dar nomes. O primeiro, o do meio e o último.
* Olhares de Deus todos os dias.
* Risadinhas debaixo das cobertas todas as noites.
* Mais amor do que seu coração pode suportar.* Beijos jogados no ar e abraços com velcro.
* Infinitas admirações por pedras, formigas, nuvens e biscoitos.* Uma mão para segurar, normalmente suja de geléia ou chocolates.
* Um parceiro para fazer bolhas de sabão, soltar pipas.
* Alguém para fazer você rir como bobo, não importa o que seu chefe tenha dito ou como as bolsas se comportaram nesse dia.
Por US$160.140,00 você não precisará crescer nunca. Você deve:
* Ter os dedos sujos de tinta,* modelar abóboras,
* brincar de esconde-esconde,
* pegar vaga-lumes, e
* nunca parar de acreditar em Papai Noel.
Você terá uma desculpa para…
* Continuar a ler as Aventuras do Ursinho Pooh,
* Assistir desenhos animados ao sábado pela manhã.* Assistir filmes da Disney,
* Fazer pedidos a estrelas.
Você recebe molduras de arco-íris, de corações ou flores sob imãs de geladeira ; conjunto de mãos impressas em argila para o Dia das Mães, e cartões com letras viradas para o Dia dos Pais.
Por US$160.140,00, não há outro jeito mais fácil de ficar famoso.
Você é um herói apenas por …
* recuperar uma bola do telhado da garagem, * retirar as rodinhas da bicicleta,
* remover uma farpa, * encher uma piscina de plástico,
* fazer bola de chiclete sem estourar e treinar um time de futebol que nunca vence mas sempre recebe sorvete de prêmio.
Você tem lugar na primeira fila da “história” como testemunha …
* Dos primeiros passos,* Das primeiras palavras,* Do primeiro sutiã,
* Do primeiro namoro, e* Da primeira vez atrás do volante de um carro.
Você fica imortal.
Você tem um novo braço na sua árvore genealógica e, se tiver sorte, uma longa lista de membros no seu obituário, chamados netos e bisnetos.
Você recebe formação em psicologia, enfermagem, justiça criminal, comunicação e sexualidade humana que nenhuma faculdade pode lhe dar.
Aos olhos de uma criança, você localiza-se logo abaixo de Deus.
Você tem poder para curar um choro, espantar os monstros que estão debaixo da cama, remendar um coração partido, policiar uma festa sonolenta, cultivá-los sempre e amá-los sem limites. E assim algum dia, eles como você, amarão sem medir os custos.
É um excelente negócio por esse preço!
É o melhor investimento que você fará.
Maldito Mundo Moderno - Chico Anísio
Mundo moderno, marco malévolo, mesclado mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutáias, majestoso manicômio.
Meu monólogo, mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio maior, maldade mundial.
Madrugada... matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna, monta matumbo malhado, munido machado, martelo... mochila mucha, margeia mata maior.
Manhãzinha move moinho moendo macaxeira, mandioca.
Meio dia mata marreco... manjar melhorzinho.
Meia noite mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua mas monocórdia, mesmice.
Muitos migram mascilentos, maltrapilhos, morarão modestamente: malocas metropolitanas; mocambos miseráveis, menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo.
Metade morre... mundo maligno, misturando mendigos maltratados... menores metralhados, militares mandões, meretrizes marafonas, mocinhas, mera meninas... mariposas, mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas... mundo medíocre.
Milionários montam mansões magníficas, melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos magnatas manobrando milhões mas maioria morre minguando.
Moradia meia-água, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera, mundo moderno melhore, melhore mais, melhore muito, melhore mesmo.
Merecemos... maldito mundo moderno, mundinho merda.
Meu monólogo, mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio maior, maldade mundial.
Madrugada... matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna, monta matumbo malhado, munido machado, martelo... mochila mucha, margeia mata maior.
Manhãzinha move moinho moendo macaxeira, mandioca.
Meio dia mata marreco... manjar melhorzinho.
Meia noite mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua mas monocórdia, mesmice.
Muitos migram mascilentos, maltrapilhos, morarão modestamente: malocas metropolitanas; mocambos miseráveis, menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo.
Metade morre... mundo maligno, misturando mendigos maltratados... menores metralhados, militares mandões, meretrizes marafonas, mocinhas, mera meninas... mariposas, mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas... mundo medíocre.
Milionários montam mansões magníficas, melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos magnatas manobrando milhões mas maioria morre minguando.
Moradia meia-água, menos, marquise.
Mundo maluco, máquina mortífera, mundo moderno melhore, melhore mais, melhore muito, melhore mesmo.
Merecemos... maldito mundo moderno, mundinho merda.
sábado, 2 de agosto de 2008
Ninja Gaiden II: Mais violento que o Rambo
Tenho um amigo que sempre reclama da falta de jogos de "ação pura" hoje em dia. Games em que a sua única missão é se divertir. Sem muito texto, sem caixas para empurrar, enigmas para resolver e personagens para conversar. Apenas coisas para explodir, inimigos para trucidar ou um botão acelerador para apertar bem forte. Caso esse amigo já não estivesse jogando Ninja Gaiden II alucinadamente, eu recomendaria o game com todas as forças, pois ação pura é o que não falta aqui.Para os não iniciados, a série Ninja Gaiden (que é um dos maiores clássicos dos games, tendo se iniciado 1988, nos Arcades e no NES) é sobre Ryu Hayabusa, filho do lendário Joe Hayabusa e descendente da "Dragon Lineage", uma tradicional e mística família de ninjas. Em todos os jogos ele precisa enfrentar algum demônio ou coisa parecida que planeja destruir o mundo por algum motivo aleatório e sempre, sem exceções, segue à risca a "Cartilha do Vilão", que inclui regras como "Mesmo que você seja um demônio poderosíssimo, com um exército de criaturas do mal à sua disposição, e esteja tentando destruir o mundo junto de outros três demônios poderosíssimos, nunca faça um ataque surpresa em conjunto para detonar o herói. Sempre lute sozinho de modo que possa ser derrotado."
Se há mais uma coisa que pode ser dita sobre Ryu Hayabusa é o seguinte: em uma hipotética briga de soco entre ele e Chuck Norris, um certo ator sairia bem detonado. Ryu não é apenas badass, ele é capaz de correr sobre a superfície da água. A bordo de uma fortaleza voadora em queda, ele cata a mulher, sobe na moto e se joga. Ele fica de pé sobre o ponto mais alto do maior arranha-céu de uma Tóquio futurista, e depois de uma breve contemplação da cidade à sua volta, ele se joga e plana em direção à vidraça do imponente prédio vizinho, quebrando-a e prosseguindo com a sua invasão e quebra-pau.
Toda essa macheza, claro, se reflete na ação. Jogar Ninja Gaiden II resume-se a uma simples atividade: comece no ponto A e ande até o ponto B -- onde você enfrentará um chefão --, fatiando e desmembrando centenas de inimigos no processo. Para que o ato de fatiar e desmembrar não se torne repetitivo e cansativo, o Team Ninja (equipe de produção do jogo) criou uma grande variedade de armas. De espadas simples e duplas a lanças de prata, de arco-e-flecha a shurikens incendiários, de garras estilo Wolverine a foices ceifadoras semelhantes à da própria Morte, você tem milhares de opções para causar mortes horríveis a todos os insignificantes que cruzarem seu caminho. A minha arma favorita é o kusarigama, uma espécie de minifoice ligada por uma corrente a uma maça com espinhos enormes. Ryu lança a foice, segura pela corrente, puxa de volta, dá com a maça na testa dos inimigos, gira tudo ao seu redor e decepa várias cabeças no processo.
O mais legal é que o combate não é um apertar de botões desenfreado. Há de se usar um pouco de estratégia, esperando os inimigos atacarem para que você os pegue de guarda aberta ou no contra-ataque. Esquivas funcionam muito bem, e também rola um pouco de elemento estratégico na escolha da arma certa para cada ocasião. Inimigos que atacam em bando pedem uma arma de longo alcance, enquanto inimigos mais fortes e em menor número podem ser derrotados mais facilmente com uma arma mais potente e devastadora.
Outra característica marcante não só deste jogo, mas da série como um todo, é a enorme dificuldade que às vezes aparece de avançar. Embora Ninja Gaiden II tenha sido um pouco facilitado em relação ao jogo anterior (para Xbox, de 2004), muitas partes continuam dificílimas mesmo para os jogadores mais experientes. No início da aventura, os inimigos são todos ninjas e monstros com uma personalidade meio "muita-vontade-e-pouca-noção". Eles partem para cima mesmo, sem dó, e muitas vezes machucam, mas é só aprender a se defender e esquivar que você vai se dar bem. Mais adiante já começam a aparecer soldados armados, que atiram à distância com metralhadoras, depois shurikens explosivos e lança-mísseis. E eventualmente você vai até se deparar com gente usando mísseis anti-tanque! Contra esses você vai penar mesmo se estiver jogando no nível de dificuldade mais fácil (o game tem dois níveis no início, com outros dois ainda mais difíceis que podem ser desbloqueados).
Muitas vezes essa dificuldade é aumentada por fatores externos à programação dos inimigos. Às vezes é por pura malícia dos desenvolvedores (sacanagem do ano: depois de ralar um tempão para derrotar um chefe, o bicho, depois de morto, explode na minha cara e me leva junto!), mas geralmente a causa é o maior defeito do jogo: a câmera. Depois de me divertir com pérolas como Super Mario Galaxy ou God of War, pode-se começar a imaginar que todo jogo atual tem um sistema de câmera perfeito. O que não é verdade e a prova está aqui. Ninja Gaiden II tem gráficos estonteantes, mas eles infelizmente são mostrados por uma das piores câmeras já programadas em um jogo desse estilo. Nas partes de exploração ela sempre se mantém muito baixa, impedindo o jogador de ver muito à sua frente. Nas partes de luta ela focaliza muito mais o seu personagem do que os inimigos (talvez para valorizar a beleza do espetáculo sangrento que se tornam as batalhas). E, como se não bastasse, ainda insiste em ficar muito próxima. Isso quando não muda subitamente de ângulo após um golpe mais performático. Você fica perdido, desorientado, sem saber a posição dos inimigos à sua frente, e a única solução é atacar sem parar, na esperança de acertar algum incauto. É frustrante em diferentes níveis, do "ah, dá pra aturar" ao "PQP, não é justo eu morrer por causa da câmera!".
Depois da prisão é caixão na certa
O novo álbum do Metallica, Death Magnetic, teve sua capa divulgada - esta ao lado, visivelmente emulando as capas da banda nos anos 80. Além disso, o semanário New Musical Express revelou que o disco será lançado em 22 de setembro e, ao mesmo tempo, todas as músicas do álbum estarão disponíveis para download no game Guitar Hero III. As músicas estarão disponíveis depois para Guitar Hero World Tour.A Activision vai, portanto, pegando as músicas da banda aos poucos. A companhia de games tem a intenção de produzir um Guitar Hero só com o Metallica, cobrindo toda a sua carreira, como já fez com o Aerosmith.
Death Magnetic é o sucessor de St. Anger, de 2003, e tem produção de Rick Rubin.
Múmia: A Tumba do Imperador
Rick O'Connell não consegue pescar. A técnica para pegar trutas, conhecida como fly, exige que o pescador arremesse e puxe a isca sem deixá-la repousar na água. Rick briga com a vara, o anzol finca no seu pescoço. A técnica que o protagonista de A Múmia: A Tumba do Imperador Dragão não domina se assemelha ao movimento de um chicote.Incrível esse ato falho, que sem querer deixa claro: Rick O'Connell não chicoteia como aquele outro aventureiro. Por anos habitou-se dizer que a cinessérie A Múmia era a mais bem sucedida dentre as várias imitações de Indiana Jones, mas só agora - com algumas semanas separando a estréia de Reino da Caveira de Cristal e Tumba do Imperador Dragão - dá pra ver o abismo que separa o original da cópia.
Mesmo se comparado com o primeiro A Múmia, de 1999, e a continuação de 2001 o terceiro sai perdendo. A história troca as areias do Egito pelas da China. Rick (Brendan Fraser) e sua esposa Evelyn (Maria Bello, substituindo Rachel Weisz) se aposentaram, e o filho do casal, Alex (Luke Ford), lutando para sair da sombra do pai, desenterra o imperador chinês que foi transformado em terracota por uma feiticeira. Claro que a certa altura o imperador (vivido por Jet Li) vai ressuscitar.
Diretor dos dois primeiros, Stephen Sommers dá lugar a Rob Cohen (Velozes e Furiosos, Triplo X, Ameaça Invisível). Não são nenhum Spielberg, evidentemente, e se igualam na mediocridade. O que prejudica A Múmia 3 de verdade é o roteiro, de autoria dos criadores do seriado Smallville, Alfred Gough e Miles Millar. Já se espera que um filme desses seja cheio de furos de continuidade, mas Gough e Millar furam mais. Esperam-se irritantes frases de efeito e piadas fora de hora, mas os roteiristas se superam.
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