sábado, 2 de agosto de 2008

Múmia: A Tumba do Imperador

Rick O'Connell não consegue pescar. A técnica para pegar trutas, conhecida como fly, exige que o pescador arremesse e puxe a isca sem deixá-la repousar na água. Rick briga com a vara, o anzol finca no seu pescoço. A técnica que o protagonista de A Múmia: A Tumba do Imperador Dragão não domina se assemelha ao movimento de um chicote.
Incrível esse ato falho, que sem querer deixa claro: Rick O'Connell não chicoteia como aquele outro aventureiro. Por anos habitou-se dizer que a cinessérie A Múmia era a mais bem sucedida dentre as várias imitações de Indiana Jones, mas só agora - com algumas semanas separando a estréia de Reino da Caveira de Cristal e Tumba do Imperador Dragão - dá pra ver o abismo que separa o original da cópia.
Mesmo se comparado com o primeiro A Múmia, de 1999, e a continuação de 2001 o terceiro sai perdendo. A história troca as areias do Egito pelas da China. Rick (Brendan Fraser) e sua esposa Evelyn (Maria Bello, substituindo Rachel Weisz) se aposentaram, e o filho do casal, Alex (Luke Ford), lutando para sair da sombra do pai, desenterra o imperador chinês que foi transformado em terracota por uma feiticeira. Claro que a certa altura o imperador (vivido por Jet Li) vai ressuscitar.
Diretor dos dois primeiros, Stephen Sommers dá lugar a Rob Cohen (Velozes e Furiosos, Triplo X, Ameaça Invisível). Não são nenhum Spielberg, evidentemente, e se igualam na mediocridade. O que prejudica A Múmia 3 de verdade é o roteiro, de autoria dos criadores do seriado Smallville, Alfred Gough e Miles Millar. Já se espera que um filme desses seja cheio de furos de continuidade, mas Gough e Millar furam mais. Esperam-se irritantes frases de efeito e piadas fora de hora, mas os roteiristas se superam.

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