Agradeço todos os dias, por pertencer a "velha escola"... Hoje em dia, qualquer um grava CD, põe seu "barulho" em radio e sai falando merda por ai, se achando o ultimo biscoito do pacote... "Achei que ninguém ia ligar para uma menina que grita como uma retardada no palco .”
Marina Ribatski – ex-Bonde do Rolê
“ O disco está mais roqueiro que o primeiro, mas continua com as piadas retardadas e o humor dos “Trapalhões” da gente .”
“ As piadas nas nossas músicas não são engraçadas. Só para nós. Na Europa o público não tem noção desse humor sem-graça que a gente tem. Eles gostam da música porque acham boa .”
“ Sei que vai ter um monte de urubu no nosso show para falar mal depois. Não estou nem aí, vou ficar lá atrás bebendo de graça. Depois vou para alguma festinha e nem vou tomar conhecimento do que vão dizer ...”
“ Tenho depressão do pop brasileiro. Não suporto emo, tenho vergonha de ver essas bandas de cabeludinhos fazendo música horrorosa! Quem mais tem? Eu gosto da Pitty. Ela é uma fofa, tem muito mais identidade que essas bandas que imitam Bad Religion por aí. Ela é corajosa, faz umas baladas bacanas .” Adriano Cintra – Cansei de Ser Sexy
" A gente nunca vai se levar a sério, mas o que acontece é que a gente está muito mais profissional, quer fazer um show melhor que o outro. Mas a gente se diverte muito não se levando a sério, e isso é uma coisa muito inteligente ." Luísa Lovefoxxx – Cansei de Ser Sexy
Aproveitando a última coluna do ano para tentar enterrar algumas bandas de vez.
Hoje em dia existe um bom termômetro para avaliar se uma banda é realmente boa musicalmente ou se é conhecida pela quantidade de bobagens que diz e/ou faz. Se a Internet trouxe ganhos incontestáveis, o mesmo pode-se dizer das perdas. Não fosse a facilidade de trocar arquivos, emitir opiniões e fazer “amizades” e contatos rede afora, muitas bandinhas furrecas estariam onde deveriam estar: no buraco negro cósmico da insignificância. Mas não. E nós, pobres mortais conectados, estamos sujeitos à profusão de baboseiras e assistindo ao nascimento (e sucesso!) de porcarias inacreditáveis. O que não quer dizer que perdemos a opção do livre arbítrio – que, a propósito, deveria ser compulsório - leia, eventualmente ouça (vai que você é masoquista), mas não dê importância, pelo amor de Deus! Como você mesmo leu na introdução desta coluna, nem eles se levam a sério!
Um caso grave e dois casos muito graves. Começando pelo começo: Foo Fighters ...
A banda de Dave Grohl era bacaninha, despretensiosa, nada muito marcante, mas até merecia um destaque na parte da minha discoteca que diz “música atual”. Eis que eles lançam um disco inclassificavelmente tenebroso, ao mesmo tempo em que Grohl , antes uma discreta sombra do ex-companheiro de Nirvana, Kurt Cobain, resolve dizer a que veio. E mais uma vez só comprova que é melhor ler e ouvir certas coisas a ser cega e surda. Os muxoxos recentes de Grohl só me fazem crer que a qualidade do trabalho de uma banda vai na contramão da quantidade de asneiras que seu líder começa a falar. Um cara antes quieto, em, digamos, um semestre que venho acompanhando suas declarações, Dave Grohl disse, entre outras coisas: que está cansado de ver as pessoas considerando o Nirvana um trabalho apenas de Cobain – ok, a gente via você tocando bateria, Grohl; que escreveu sim uma música sobre Courtney Love – alguém que ele felizmente sempre havia ignorado, para o bem dos nossos ouvidos e consciência, que têm mais o que fazer; que o Foo Fighters havia feito um disco mais eclético – eclético não, Mr. Grohl, horrendo, sem direção, atirando pra tudo que é lado. Grohl também está pronto para dar conselhos às drogaditas de plantão (Lindsay Lohan, Britney Spears, Amy Winehouse), dizer que chora ouvindo músicas do Nirvana e que deveria tocar bateria com o Led Zeppelin. E o som do Foo Fighters? De medíocre a pior...
Bonde do Rolê e Cansei de Ser Sexy. Personificação máxima da expressão “pra inglês ver”, as duas bandas fazem um sonzinho insuportável, têm à frente vocalistas-gralhas e se tornaram conhecidas pura e simplesmente porque hoje, qualquer coisa pode se tornar conhecida, desde que “choque” de alguma maneira.
Vários leitores já escreveram me perguntando qual a fórmula do sucesso de ambas e eu respondo: primeiramente, que sucesso? O que a mídia nacional insiste que existe? Sucesso pra mim quem faz é a Madonna, o Rio Negro e Solimões, a Sandy Jr., a Ivete Sangalo, o U2. Ou só por que meia dúzia de britânicos (que a-d-o-r-a-m bandas hypadas) acha os caras legais eles fazem sucesso? Se um dia eles fecharem uma noite no Glastonbury reconsidero minha opinião. Prometo. Dito isto, você já fez o exercício de traduzir letras de música? Ficam medonhas, não ficam? Excetuando-se um Morrissey, um Roger Waters, um Dylan da vida, a grande maioria não só pode como DEVE ficar sem tradução. Pronto. Quantos gringos você acha que conhece uma palavra de português? E não entendendo o que as bandas citadas cantam, já fica mais fácil gostar. É como deixar o cérebro em casa e só balançar o corpo.
O Bonde, como a própria ex-vocalista do trio falou ali em cima, é uma piada extremamente sem-graça com gente retardada em cima do palco e na platéia. E não por acaso, já começou a degringolar. O Cansei de Ser Sexy (que eliminou a única coisa que tinha de bom, o nome, para agradar a gringolândia, que chama a banda de CSS) já está começando a se achar inteligente, e isso é perigoso... Divertir-se não se levando a sério é ótimo. Inteligente? Diria que com a idade isso passa e que pra mim, soa mais como justificativa sempre pronta na ponta da língua para uma banda bastante consciente da própria ineficiência. Eles sabem que não tocam nada, sabem que não acrescentam nada, estão cientes da grande bobagem que são, mas querem sair por cima dizendo que estão se divertindo horrores. Ótimo para eles. E quem compra o disco se diverte também? Ou é só uma piada interna, como diz o Adriano?
Mas, ah, esta parte é a mais gostosa... É sempre bom ver um brasileiro arrogante começando a achar que descobriu suas raízes no Velho Mundo reclamar da imprensa e do público do próprio país e ao mesmo tempo botar todas as bandas do pop nacional em um só saco e jogar tudo no lixo. Como se pudesse falar de qualidade... Eu acho uma delícia de ver. Mas ainda melhor é ver a mesma imprensa rasgando seda pra essa gente que vai pra fora, agrada um público carente de coisas novas (imagine que lá nasce um Arctic Monkeys por dia), conquista uma capa do New Musical Express (a Lovefoxxx supercool, zzzzz), se acha a última bolacha recheada do pacote, e volta pra cá falando poucas e boas da própria imprensa! É um círculo vicioso interessante de observar... Se gringo aprovou, como é que a gente não aprova? Simples: brasileiro não tem acesso à cultura, é carente de discernimento, mas não é tão burro e surdo! Podem ficar por lá!
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2 comentários:
..sua opinião.
direito q te assiste!
Aos fãs, das supostas "bandas" citadas, meus sentimentos... Não culpo "eles", por quererem se dar bem... Senvergonha é quem compra o cd ou gasta luz, ouvindo esse barulho!!!
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