quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Entendendo o EMO...

Deixa eu ver se entendi. Trocando em miúdos, o Emocore sem os berros e as levadas de três acordes é mais ou menos um The Calling. Ou então, tirando as letras e a cara propositadamente de brabo dos membros das bandas é um Offspring mal-ajambrado. É isso?
E é impressão minha ou a união de tais elementos proporciona uma “música” muito, mas muito, mas muito, mas muito pentelha? Porque assim, o que acontece é que você tem uma espécie de coito interrompido, saca? Nem afoga as mágoas de vez, nem sai pulando como retardado... e tem mais: haja falta de talento para errar tantas vezes em “assuntos de amor”, hein? Músicas de CPM22, Dead Fish, Detonautas, essas coisas, são todas iguais! Todas falando de como a criatura tá mal por causa de amores mal resolvidos... haja paciência!
Se é pra falar de amor, se é pra se acabar de amor, manda logo um “I Know It´s Over”, dos Smiths, ou quem sabe uma clássica como “God Only Knows”, do Beach Boys (com os próprios californianos ou com o Bowie, ambas são aceitas). Tenho mais uma lista infindável, quer ver? “Stay”, do U2, “Tom the Model”, com a Beth Gibbons, “(Wish I Could) Hideaway”, Creedence, “Maps”, Yeah Yeah Yeahs, “Still in Love with You”, Thin Lizzy, “All Dead”, Queen, “Walking in my Shoes”, Depeche Mode. E tente sobreviver.
Se é pra falar de raiva, se é pra se acabar em uma overdose de energia, manda um Ramones (claro), qualquer coisa dos Pistols, Outkast, White Zombie, Nine Inch Nails (claro), Primal Scream, Eminem, Fatboy Slim, Nirvana. E tente sobreviver...
Mas vá até o fundo! Essa coisa meia-boca, esse “amor” pra vender, essa raivinha pueril, essa absoluta falta de “atitude” disfarçada em “mamãe, podemos ser bons meninos, olha como sofremos...”, isso tudo é muito artificial! Na boa, abrace a causa, se jogue! Tem coisas que não dá pra ficar no meio-termo, sabe? Ou essa gente se apaixona todo dia por pessoas diferentes? E sofre cada perda como se fosse a primeira? Confesso que me assusto com a falta de profundidade do tal Emocore. E fatalmente faço um paralelo com quem escuta. Aí é que o bicho pega.
Duas coisas me chamaram a atenção recentemente. Uma foi a declaração de um jornalista todo orgulhoso porque seu filho de 4 anos já “brinca” no Google. A outra foi uma reportagem atestando o que todo mundo já suspeitava, os adolescentes estão trocando relacionamentos reais por virtuais. ( Da para acreditar?)
Os dois exemplos formam um ambiente perfeito para que algo como o Emocore se transforme em sucesso...
Caso não tenha entendido, eu explico:
Crianças que crescem em frente ao micro, trocando a brincadeira de polícia e ladrão pelo mais novo game do mercado, serão adolescentes cujos melhores amigos serão virtuais. Crianças que fazem pesquisa para escola no Google e não mais visitam o Zoológico, serão adolescentes que vão namorar via messenger. Crianças que não sentem o delicioso cheiro de um livro novo serão adolescentes que se comunicam através do miguxês. Crianças que não interagem com o mundo real à sua volta serão adolescentes que expõem suas desinteressantes vidas em blogs. Dá pra perceber onde entra o Emocore?
Se não fossem as justificativas deles mesmos, os adolescentes, embasando tais trocas em sua suposta timidez, eu não teria ficado preocupada. Alô, papais, joguem seus filhos no mundo! Pessoalmente, vou me orgulhar quando meu filho ganhar uma partida de basquete, ao lado de todo time, e não quando ele for diagnosticado com tendinite aos 12 anos. E vou chorar à beça, mas vou apoiar, quando ele decidir fazer um curso de 2 anos na Espanha, não quando ele chegar aos 30 anos pensando que amor e sexo casual são a mesma coisa.
Com o esvaziamento das relações pessoais, há uma procura por produtos que são semelhantes ao que esse público “vive”. Ou seja, a música preferida por esse monte de gente é uma música artificial, rasa, repetitiva, trilha sonora de relacionamentos que têm começo, meio e fim via mouse. Pode parecer uma teoria esquisita, mas alguém sabe explicar por que algo como o Emocore surgiu somente agora? E por que algo tão vazio faz tamanho sucesso?
Não, música rasa não é exclusividade do Emocore, mas a proposta de fazer música falando de amor e não falar nada a não ser que sempre dá tudo errado é... FODA!

Um comentário:

Anônimo disse...

Broder... Esqueçeu de dizer que o Emo-core, como cena musical, é mais uma mentira! É justificativa de músico esperto e empresário ligeiro para rotular uma coisa que é igual a diversas outras de um jeito diferente para que todos comprem como novidade.
Acredito que a grande maioria do público emo mal sabe das origens dessa coisa toda, a influência do glam, a suposta decendência do HC ( e que fique claro que isso não é HC nem aqui, nem na China!), e estão comprando atitude em boutique!
Concordo com o que tu dissestes, que o Emo é a trilha sonora decorrente do estilo de vida de uma geração de práticas rasas e vazia de significados expressivos.
A música da vida dessas pessoas não poderia mesmo ser diferente...







o pior nisso tudo é os enganados pensando que tem razão, dizendo que não e batendo no peito!!!!

Quero ver o dia que eles se derem conta.