domingo, 27 de setembro de 2009

Estamos sem noção...

O Chris Cornell ta louco...
Recentemente, tive a infelicidade de comprovar com os próprios ouvidos o sacrilégio que Cornell cometeu contra anos de sua própria biografia.
Fato é que, ao contrário de muita gente que gosta de rock clássico, puro, e fica só nisso, eu também gosto de funk, coisas dançantes, eletrônico. É nesses momentos que eu desligo o senso crítico e procuro apenas me deixar levar pelo balanço. Não é tudo o que me convence, claro, mas tem bastante coisa legal, ainda que acéfala. Pensei que Scream poderia entrar nesse nicho. E, em grande parte, não pensei e fui movida pela curiosidade. Um horror. Desisti na terceira faixa. Tem vozes que simplesmente não nasceram pra certas coisas. Freddie Mercury fez umas músicas dançantes no fim de sua carreira e, mesmo sendo fã confessa, detestei e ainda sinto vergonha alheia quando ouço. O mesmo acontece com Chris Cornell. Talvez pelo respeito que ambos tenham conquistado antes, com seus agudos e afins. Talvez pelo indicativo do ex-Soundgarden estar totalmente perdido. Talvez porque o erro de alguns artistas pareça mais imperdoável do que os nossos, reles seres humanos, porque eles sempre são colocados acima do “resto”.
E é aí que eu queria chegar. O fim da obrigatoriedade de diploma de jornalismo para exercer a profissão e a horda de artistas que invadiu o Twitter trouxe à tona uma questão interessante: quão prejudicial para um artista pode ser deixá-lo tomar as rédeas de sua própria carreira e da comunicação que mantém com os fãs? Quão ridículos, marionetes e analfabetos eles podem se mostrar? E se não há uma assessoria de imprensa e um mar de gente fazendo a ponte entre o que ele diz e faz e o que é publicado, aonde eles vão parar?
Para quem não segue o que acontece no Twitter, um breve relato: alguns artistas brasileiros se uniram e promoveram uma campanha com a tag (uma palavra-chave que você coloca na sua mensagem para que o assunto seja mais facilmente achado) #forasarney e conseguiram promover uma lambança geral. De um lado pessoas discutindo a própria idoneidade de tais artistas e a eficácia da iniciativa. De outro, pessoas dizendo que “antes isso que nada”, defendendo que muitos assuntos crescem o suficiente para serem discutidos não só no mundo virtual como no real. E, num todo, celebridades bacanas, outras nem tanto, se transformam em donos da verdade absoluta, postando mensagens a cada segundo, usando o Twitter como se fosse um palanque de autopromoção e atacando (na maior parte das vezes pessoalmente) quem pensa diferente, como se liberdade de expressão – no Twitter, veja você – fosse coisa do passado.
É muita gente falando e pouca escutando, um retalho do mundo de hoje como ele é. Por que essas pessoas só usam o espaço online, deixando de tocar no assunto no programa de domingo, no show, ou na entrevista daquela revista de famosos? Nessas horas, eles voltam a ser "apenas" artistas, se colocando acima de tudo e de todos. E o outro lado, o que estava batendo, volta à insignificância da qual nunca saiu, ao contrário do que diz o enooooorme número de seguidores que tem. Um fala mal da gravadora, depois retira o que disse. Outro sorteia televisão para aumentar o número de seguidores. E mais um outro manda mensagem pro Ashton Kutcher pedindo apoio ao #forasarney e como resposta ganha do eterno-Kelso um “são vocês que têm de cuidar dos próprios problemas”. E os blogueiros – profissão nova! – olham pra tudo isso com aquela empáfia contumaz de gente que é celebridade às avessas, que nunca erram e adorariam ter a oportunidade de lançar um livro nos moldes antigos, de aparecer num debate da MTV que fosse, de ser capa de qualquer publicação.
E eu? Sobre a discussão em si, não cheguei a uma conclusão. É válido pelo menos como desabafo? Talvez. De certo, tenho pra mim que é um dos poucos espaços em que você pode ser livre. A não ser que tenha de prestar contas por tudo o que já fez e disse no resto da vida... e sem entrar em contradição. Difícil. Ou seja, todo artista tem um pouco de Chris Cornell dentro de si. Todos estão perdidos. E deveriam contratar não um assessor de imprensa, mas vários. E todos os tipos de ajuda possível: personal trainer, stylist, thinker, talker...
De qualquer forma, continuo achando que tratar um microuniverso de microblog como se fosse megaimportante é estar totalmente fora da casinha, ou da mansão, no caso.
Para terminar, não poderia deixar de falar sobre o circo criado em torno da morte de Michael Jackson. Eu não esperava uma reação diferente da imprensa. Já em relação ao pai dele, cuja última notícia que eu havia lido tinha a ver com o ingresso dos netos no showbizz, espero sinceramente que quando eu chegar ao céu Deus explique por que ele ainda está aqui e Jackson não.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito bom te ter de volta... Escreve mais cara!!!