Eu acho engraçado a incapacidade de autocrítica de alguns artistas... Muito engraçado. A cantora Natalie Cole, se você bem lembra, fez um baita sucesso no início dos anos 1990 por conta de uma colaboração com o pai morto em 1965, Nat King Cole. Em “Unforgettable”, Cole, o pai, foi ressuscitado eletronicamente e fazia um duo com a filha, transformando uma regravação em sucesso absoluto. Por quê? Porque Nat King Cole é um tremendo talento e é reconhecido como tal. O mérito de Natalie? Forgettable. Antes e depois do milagre, Cole, a filha, foi/é apenas mais um nome na imensa enciclopédia jazzística, restrita, portanto, a um gênero específico.Mas Natalie resolveu sair da clausura para dizer que dar à cantora Amy Winehouse cinco prêmios Grammy é errado. No raciocínio simplista de Cole, alguém que usa drogas não pode ganhar um Grammy, afinal está explicitamente divulgando que mau comportamento também pode ser recompensado.
Alguém precisa avisar Natalie Cole que o Grammy premia (ou tenta) os melhores músicos, as melhores faixas, os grandes álbuns de determinado ano, e não os melhores escoteiros. Música, péssimo comportamento e drogas sempre andaram juntos (Cole, ex-usuária, que o diga!) e se o não uso de entorpecentes fosse pré-requisito para vencer prêmios, iriam sobrar troféus e faltar artistas para recebê-los.
O que Amy Winehouse faz fora do palco não me importa. A mulher provocou uma verdadeira revolução feminina na música e canta tão bem que até dói. Cinco prêmios Grammy? É pouco!

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